Hospital da Mulher do Pará soma esforços ao enfrentamento da violência contra a mulher
Unidade é referência na Região Norte para atendimento especializado a vítimas de violência sexual e doméstica e integra a rede estadual de proteção e assistência
Para uma mulher que chega ao Hospital da Mulher do Pará (HMPA) após vivenciar uma situação de violência, o primeiro passo é ser acolhida. Em um ambiente preparado para oferecer assistência especializada, o cuidado começa ainda na chegada à unidade e envolve profissionais de diferentes áreas, em um fluxo estruturado para garantir segurança, atendimento integral e respeito à história de cada paciente.
Entregue em março de 2025, em Belém, o HMPA é a primeira unidade de saúde da Região Norte com perfil voltado ao atendimento especializado de mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. O hospital mantém serviço de urgência e emergência 24 horas, com atendimento médico, psicossocial e cirúrgico, além de integrar a rede estadual de proteção e assistência às mulheres.
A estrutura também dispõe de um totem de autoatendimento que facilita o acesso a serviços relacionados à segurança pública, como o registro de denúncias e a solicitação de medidas protetivas. A ferramenta amplia as possibilidades de atendimento dentro da própria unidade, preservando a privacidade e a segurança das mulheres.
Para a diretora-geral do HMPA, Nelma Machado, o atendimento à vítima de violência precisa ultrapassar o cuidado exclusivamente clínico e considerar as diferentes vertentes envolvidas em uma situação de agressão. “Nosso compromisso é garantir que essa mulher seja acolhida com respeito, segurança e dignidade desde a chegada ao hospital. O enfrentamento da violência exige uma rede articulada, e o hospital tem um papel importante nesse processo, oferecendo assistência especializada e contribuindo para que a paciente conheça seus direitos e tenha acesso aos serviços que podem ajudá-la a romper o ciclo de violência”, afirma.
O trabalho realizado no HMPA está conectado a outros serviços que integram a rede estadual de proteção. A unidade mantém articulação com as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deam), vinculadas à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), com a Secretaria de Estado das Mulheres (Semu) e com outras instituições responsáveis pela assistência, proteção e acolhimento, incluindo os abrigos existentes no Estado.
No hospital, a proposta é evitar que a mulher percorra sozinha os caminhos da rede após uma situação de violência. A assistência é organizada de acordo com as necessidades identificadas em cada caso. “Nós recebemos, via urgência e emergência, os casos de violência a mulheres maiores de 18 anos, sem a necessidade de encaminhamento. Essa mulher passa pelo acolhimento desde a recepção, classificação da triagem de enfermagem, setor de exames até o acompanhamento pela equipe médica, cirúrgica, psicóloga, o serviço social, farmácia e fisioterapia, quando necessário”, explica a enfermeira Ericleide da Silva, coordenadora do Pronto Atendimento.
O atendimento pode ter continuidade no ambulatório, conforme a avaliação da equipe. “Na maioria das vezes, já recebemos a paciente que vem encaminhada da delegacia e então nós fazemos o nosso processo de pronto atendimento. Após esse primeiro atendimento, nós identificamos a necessidade de acompanhamento ou tratamento via ambulatorial”, acrescenta Ericleide.
Segundo ela, os fluxos são definidos de acordo com o tipo de violência e o quadro clínico apresentado. “Cada tipo de violência tem um perfil de acolhimento e um fluxo de atendimento relacionado para cada caso. O nosso perfil é referência para casos ginecológicos. Quando há casos de fraturas, por exemplo, essa mulher é encaminhada via regulação para a unidade de referência em traumatologia, mas ainda recebendo o acolhimento na nossa unidade”, esclarece.
Em situações de violência, as psicólogas e assistentes sociais participam do acolhimento desde os primeiros momentos, em conjunto com as equipes da recepção, médica e de enfermagem.
A estratégia busca evitar que a paciente tenha de repetir o relato da violência, uma situação que pode provocar sofrimento adicional. Para a assistente social Giane Souza, supervisora da equipe multiprofissional, o acolhimento integrado é fundamental nesse processo. “A equipe multiprofissional, composta por psicólogas e assistentes sociais, faz o acolhimento junto com a equipe médica e de enfermagem para não revitimizar a paciente, para evitar que ela precise passar pelos relatos várias vezes. Se necessário, depois, a psicóloga fica somente com ela para dar um atendimento mais especializado”, explica.
O serviço social do hospital também atua na orientação sobre direitos e sobre os caminhos disponíveis dentro da rede de proteção. “Elas são orientadas pelo serviço social sobre todos os direitos, quais os locais procurar no que tange à rede de proteção estadual. Se essa mulher ainda não tiver feito o boletim, ela é encaminhada para fazer o boletim de ocorrência na Deam. Nós temos também aqui o totem de autoatendimento para os registros contra agressores. Caso identifiquemos que há uma suspeita da violência, mas a paciente tenha resistência em realizar a denúncia, nós preenchemos uma notificação, por meio do serviço de vigilância, ao sistema do Ministério da Saúde”, afirma Giane.
Para a profissional, informar também é uma forma de proteger. “Nós reforçamos a importância de primeiramente pensarem nelas, de se amarem em primeiro lugar, a segurança delas em primeiro lugar. Então, elas não precisam ter medo de denunciar, porque tem toda uma rede de proteção, a Lei Maria da Penha, para que elas não voltem a sofrer nova agressão, seja por violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial”, ressalta.
Combate - O enfrentamento à violência não se restringe aos atendimentos realizados dentro do hospital. A informação é utilizada como instrumento de prevenção e de fortalecimento da autonomia das mulheres. Nesse contexto, o HMPA desenvolve o Projeto Florescer, realizado todas as quartas-feiras pela equipe psicossocial. As atividades são direcionadas às pacientes do ambulatório e abordam os diferentes tipos de violência contra a mulher, os direitos assegurados pela legislação e os serviços que compõem a rede estadual de proteção.
Mês de conscientização - A programação do Agosto Lilás também amplia as ações de conscientização. No dia 26, o hospital promoverá o Workshop Agosto Lilás, destinado ao aprimoramento de colaboradores no atendimento especializado em casos de violência contra a mulher. A programação reunirá profissionais especialistas na área de instituições que integram a Rede de Proteção Estadual, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os fluxos de atendimento e fortalecer a atuação conjunta.
No dia 28, a informação chegará também ao Complexo do Ver-o-Peso, em Belém. Uma ação educativa será realizada no local, considerado um dos principais pontos turísticos, espaço de grande circulação de pessoas na capital paraense, para orientar a população sobre prevenção, identificação e enfrentamento das diferentes formas de violência contra a mulher.
Legislação - O fortalecimento da rede de proteção também passa por iniciativas no campo da legislação. Em julho deste ano, um novo decreto que responsabiliza os agressores pelo pagamento dos custos do atendimento das vítimas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi anunciado pela governadora do estado do Pará, Hana Ghassan.
A medida se soma a outras iniciativas voltadas à proteção das mulheres e à responsabilização dos autores de violência.
Instituído como uma mobilização nacional de conscientização e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, o Agosto Lilás tem como marco o aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. Ao longo do mês, instituições públicas e privadas ampliam ações de informação e sensibilização sobre um problema que exige atuação permanente.
Texto: Ascom/Hospital da Mulher do Pará (HMPA)

