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CASAS ECOLÓGICAS

'Sua Casa COP 30 Sustentável' começa a entregar moradias na região das ilhas de Belém

Construídas com tijolos feitos com caroços de açaí, as unidades têm reflexos diretos no meio ambiente, com sistemas sistema de tratamento de esgoto, água tratada e energia solar

Por Governo do Pará (SECOM)
10/08/2026 17h13

“Receber essa casa hoje, prontinha, é a realização de um sonho que tive a vida toda. Minha casa sofria com a ação das marés aqui da ilha. Já não tinha condições de morar lá. Eu adorei minha casa nova todinha, mas confesso que ter o banheiro dentro de casa é minha parte favorita, porque na outra não tinha”, contou a pescadora Ângela Maria Soares dos Santos nesta segunda-feira (10), após receber as chaves da casa nova entregue pelo Governo do Pará, por meio da Companhia de Habitação (Cohab).

A casa nova de Ângela Maria é uma das 45 unidades que estão sendo construídas na região das ilhas de Belém, dentro do Projeto Sua Casa COP 30 Sustentável, em total sintonia com o meio ambiente. Nas casas sustentáveis são utilizados 150 mil tijolos produzidos a partir de caroços de açaí (Euterpe oleracea), com sistema de tratamento de esgoto, água tratada e energia solar.

Segundo o diretor-presidente da Cohab, Artur Menezes, o projeto é inovador, e garante moradia digna a quem mais precisa, utilizando um método construtivo de base ecológica. “ É uma grande alegria para nós entregarmos habitações que transformam para melhor a vida das pessoas. Hoje, estamos aqui na Ilha do Combu, entregando casas que foram construídas com tijolos ecológicos, e que deixaram de produzir na atmosfera toneladas de CO₂, no modelo solo-cimento, sem queima, a partir do caroço de açaí, um resíduo abundante na região, que agora volta em forma de conforto e comodidade para essas famílias. Com esse projeto, a Cohab passa a ser referência na construção de habitações em ilhas, e em breve, deve iniciar obra de mais 50 habitações na região das ilhas de Ananindeua (município da área metropolitana de Belém)”, adiantou o diretor-presidente da Companhia.

De acordo com dados da Cohab, o material permite redução de até 30% no tempo de construção em comparação à alvenaria tradicional, além de economia de até 40% nos outros materiais utilizados.

Benefício ao clima - O engenheiro civil da Companhia, Sergio Soares, ressaltou que o uso do tijolo ecológico também reduz o consumo de água em até 90%, de cimento em 80% e de ferro em 50%, além de diminuir significativamente a geração de resíduos sólidos. “Estamos desenvolvendo um projeto que é um abraço à causa climática. São unidades habitacionais adaptadas à realidade local, com instalação de biodigestor, que faz tratamento de esgoto sanitário, transformando em adubo para hortas, e de sistema de tratamento de água", enfatizou Sergio Soares.

Ainda segundo o engenheiro, "a unidade da Cohab faz parte de um projeto maior, que integra a primeira palafita de madeira do Programa Minha Casa, Minha Vida Rural, executado em parceria com o Ministério das Cidades, por meio da Central de Movimentos Populares (CMP) e a Cooperativa Mista da Ilha do Combu (Coopmic), que traz outros avanços. como uso de placas solares para geração de energia elétrica”.

O Projeto Sua Casa COP 30 Sustentável tem ainda as parcerias do engenheiro e professor Marco Antonio Barbosa, responsável pelo desenvolvimento do tijolo feito com caroço de açaí, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que atua também no projeto de hortas medicinais, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Para Cassiano Ribeiro, que trabalha na gestão da obra juntamente com o engenheiro Sérgio Soares, o maior desafio da construção é a logística. “Lidamos com regime de marés, sem portos para atração de balsas que possam transportar grandes quantidades de materiais. Mas, aos poucos, com a parceria da comunidade, estamos vencendo esses desafios. Hoje temos cinco casas concluídas, outras onze em obras avançadas, e as demais sendo iniciadas. Assim, garantimos que a moradia digna cheque também às populações ribeirinhas, assim como aos quilombolas e indígenas”, informou Cassiano Ribeiro.

Renda extra - Segundo a Cohab, além de moradia, as unidades ecológicas entregues no Combu poderão gerar renda extra. Como são duas unidades habitacionais, uma pode ser transformada em local de hospedagem na ilha.

A guia turística Ana Alice Mota disse que vai morar na palafita, e já planeja alugar o anexo. “Eu já trabalho com turismo, e tenho uma proposta de roteiro que chamo de roteiro 24 horas. O cliente passa o dia comigo, dorme na ilha, e eu devolvo ele para a cidade no outro dia. É essa minha proposta para o turismo, e tenho certeza que esse é um projeto que vai agregar porque a gente tem um espaço para estar trazendo pessoas para dentro da nossa realidade, para conhecer o nosso cotidiano, a cultura que a gente tem aqui”, explicou.

A dona de casa Jéssica Souza, contemplada com a casa nova, também vislumbra a possibilidade de ter renda extra, ao mesmo tempo que garante conforto para a família. “É um sonho realizado, porque eu tinha uma casinha bem pequena de madeira, onde moravam eu, meu esposo e meus dois filhos. Tinha uma minissala, dois quartinhos e uma cozinha muito pequena. Mas essa aqui é um luxo! Aqui tem ventilação, tem conforto, uma estrutura boa. Sou muito grata”, afirmou Jéssica.

Texto: Kátia Aguiar - Ascom/Cohab