Usinas da Paz são reconhecidas pelo Anuário de Segurança Pública como modelo de combate à violência
Estratégia desenvolvida pelo estado do Pará alia presença ostensiva da segurança e transformação social, resultando em quedas expressivas nos índices de criminalidade nos bairros contemplados com as Usinas da Paz
As Usinas da Paz que integram o programa Territórios Pela Paz (TerPaz), desenvolvido pelo Governo do Pará, alcançou destaque nacional ao ser incluído no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), como uma das principais boas práticas estaduais no combate à criminalidade violenta. A iniciativa foi reconhecida por sua capacidade de articular ações integradas de segurança pública e políticas sociais em territórios historicamente vulneráveis.
Desde a primeira Usina implantada no estado, no bairro do Icuí-Guajará, no ano de 2021, os bairros contemplados com a presença das UsiPaz, já reduziram mais de 90% os Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI), confirmando que o caminho para a paz social está aliado às boas práticas sociais à serviço da população.
“As Usinas da Paz são um marco na história do Pará, trazendo para as comunidades mais periféricas estruturas que contemplam serviços sociais, educação, saúde e integração social, entregando mais dignidade às comunidades de bairros que antes registrava altos índices criminais, como roubos, furtos e homicídios. Em sete anos, foi possível mudar essa realidade com um trabalho ostensivo e preventivo iniciado pelas forças de segurança integradas do estado, que ocuparam esses territórios, inicialmente, para conter as ações criminosas e abrir espaço para a construção das Usinas que hoje abraçam a população com serviços médicos, odontológicos, psicossociais, bem como, com retirada de documentos, registro de ocorrências e formação educacional, esporte e lazer para todos que vivem em seu entorno”, ressaltou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Ed-Lin Anselmo.
Integração e choque operacional
A consolidação do modelo tem como pilar o trabalho inicialmente desempenhado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), em conjunto com as polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, agências de inteligência e os demais órgãos de segurança. A atuação das equipes nos bairros mapeados como sendo os de maior mancha criminal, ocorre de forma contínua, antes da instalação dos complexos, assegurando o controle territorial, e após a inauguração, por meio de um policiamento comunitário e preventivo voltado à redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), aqueles que englobam homicídios, feminicídio, latrocínios e lesão corporal seguida de morte, além dos crimes contra o patrimônio, a exemplo de roubos e furtos.
Os dados consolidados pela Segup, por meio da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac), apontam reduções expressivas tanto na comparação histórica entre os anos de 2018 e 2025, quanto nos acompanhamentos de variação após a entrega das Usinas.
Redução histórica nos Territórios Pela paz
Na comparação do período de janeiro a dezembro entre os anos de 2018 e 2025, os bairros da Região Metropolitana de Belém que receberam as primeiras Usinas da Paz registraram reduções históricas nas taxas de criminalidade, a exemplo do bairro do Benguí (Belém), que atingiu redução de 95,2% nos casos de CVLI e 76% nos de roubos. A área de atuação da UsiPaz Jurunas /Condor (Belém), registrou queda de 86,7% em CVLI e 78,6% em roubos. No bairro do Guamá (Belém), a redução foi de 85,1% em CVLI e 75,4% nos crimes de roubos. Na Cabanagem (Belém), a queda foi de 82,4% nos crimes letais e intencionais e 71,8% nos de roubos.
No Icuí-Guajará (Ananindeua), a redução apresentou queda de 76,5% em CVLI e 61,3% nos roubos. Já na Terra Firme (Belém) a queda foi de 76,3% em CVLI e 77,6% em roubos. Em Marituba a redução apresentada foi de 50% nos homicídios/CVLI e 87,9% nos crimes de roubos.
Já nos bairros dos municípios do interior do estado, como em Parauapebas, a redução apresentada foi de 54,3% em CVLI e 74,8% nos roubos. Em Canaã dos Carajás, a redução foi de 60,3% nos crimes de roubos.
Usinas da Paz por todo o Pará
Nas usinas inauguradas ao longo do ano de 2025, o comparativo dos números do primeiro semestre, considerando os meses de janeiro a junho, dos anos de 2018 e 2026 também reforça a estratégia assertiva de mudança no âmbito da segurança pública. De acordo com os dados da Segup/Siac, a Usina da Paz localizada na cidade de Abaetetuba, registrou queda de 79,3% nos crimes de CVLI e 88,8% nos roubos. Em Moju, o bairro contemplado com a UsiPaz reduziu em 76,9% o CVLI e 82,7% os roubos. Em Castanhal, a redução foi de 75% em CVLI e 84,3% em roubos. Já em Benevides, a queda apresentada foi de 74,3% em CVLI e 77,3% em roubos.
Nas proximidades da UsiPaz de Tucuruí, a redução de CVLI foi de 70% e dos crimes de roubo foi de 86,7%. Em Barcarena a queda foi de 65,6% em CVLI e 71,5% em roubos. Em Bragança, a redução foi de 65,5% em CVLI e 72,6% em roubos. Já em Marabá, os números apresentam redução de 62,2% nos crimes de CVLI e 69,4% nos roubos.
Modelo Integrado - O reconhecimento no Anuário de Segurança Pública e os números de redução da criminalidade nos bairros contemplados pelas Usinas da Paz reafirmam o impacto e o comprometimento com a população, tendo como principal diferencial do programa realizado pelo estado do Pará a capacidade de articular o trabalho preventivo e ostensivo desenvolvido pelas forças de segurança, com a oferta de serviços básicos nas áreas de saúde, educação, qualificação profissional, cidadania, esporte e lazer promovidos pelas UsiPaz, nos territórios pela paz.
O desenvolvimento do programa só é possível pela integração de inteligência policial, presença ostensiva e preventiva nos territórios e inclusão social, desta forma o Pará consolida uma estratégia de segurança pública positiva e de impacto social, a longo prazo, que reforça a integração do estado para garantir maior segurança, paz social e desenvolvimento sustentável à população mais vulnerável, melhorando a condição de vida e entregando uma qualidade de vida mais digna para as comunidades paraenses.
Texto: Walena Lopes/ Segup

