Pará prepara ações da saúde pública para minimizar impactos do El Niño
Objetivo é reforçar o monitoramento, preparar a rede de saúde e apoiar os municípios frente aos riscos de calor extremo, da estiagem e da fumaça das queimadas
A Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) está na fase final de elaboração do Plano Estadual de Preparação para o El Niño, com ações de monitoramento, prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno sobre a saúde da população paraense. A estratégia envolve áreas de vigilância, assistência (atenção primária, urgência e emergência), assistência farmacêutica, os 13 Centros Regionais de Saúde e demais setores, em articulação com os municípios.
De acordo com a Sespa, a integração dessas áreas se dá principalmente, por meio do Grupo de Trabalho para emergências climáticas, responsável pela reunião das informações técnicas e da delimitação das estratégias. O objetivo é preparar a rede para o aumento de agravos relacionados ao calor extremo, à fumaça das queimadas, à estiagem e à redução dos níveis dos rios.
Entre os principais riscos, estão o aumento de doenças respiratórias, casos de desidratação, insolação e exaustão térmica, além do agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias preexistentes. O cenário também pode dificultar o transporte de pacientes, medicamentos e insumos em localidades dependentes da navegação fluvial e aumentar a demanda pelos serviços de saúde.
Ação e prevenção - Secretário de Estado de Saúde Pública, Ualame Machado afirma que a preparação antecipada é fundamental para reduzir os efeitos dos eventos climáticos sobre a população e garantir uma resposta coordenada da rede. “O plano organiza a atuação da saúde diante de diferentes cenários, fortalecendo o monitoramento, a prevenção e a capacidade de resposta. Nosso objetivo é antecipar os riscos, apoiar os municípios e garantir que a rede esteja preparada para atender a população nos territórios mais vulneráveis”, afirma.
Atualmente, a Sespa já conta com estruturas que serão utilizadas na resposta. O Estado tem 31 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24 horas), que terão papel importante no atendimento de casos de desidratação, exaustão pelo calor, doenças respiratórias associadas à fumaça e intoxicações. A vigilância epidemiológica também será fortalecida por meio dos 11 CIEVS e dos 58 Núcleos Hospitalares de Epidemiologia, responsáveis pela identificação, notificação e monitoramento dos agravos.
Antes do período de maior incidência dos impactos, esperado entre outubro e dezembro, estão previstas ações como capacitação das equipes, qualificação dos fluxos de notificação e comunicação, elaboração de orientações técnicas para a atenção primária e definição de um elenco mínimo de medicamentos para regiões de difícil acesso. Também haverá monitoramento dos estoques de kits de hidroxicobalamina nos serviços de urgência, emergência e hospitais, com possibilidade de remanejamento para localidades afetadas por queimadas e incêndios.
Vigilância em saúde ambiental
A coordenadora de Vigilância em Saúde Ambiental da Sespa, Sirley Barros, explica que o planejamento considera as diferenças entre os territórios paraenses. “O El Niño não produz os mesmos efeitos em todas as regiões. Por isso, o trabalho da Vigilância em Saúde Ambiental é acompanhar os cenários climático, ambiental e hidrológico e, a partir dessas informações, orientar as ações de preparação e resposta de acordo com a realidade de cada território”, destaca.
Entre as áreas consideradas prioritárias estão os municípios vinculados ao 7º, 8º, 9º, 10º, 11º e 12º Centros Regionais de Saúde, abrangendo regiões do Marajó, Baixo Amazonas, Sudeste e Sudoeste paraense. A definição considera fatores como estiagem, redução dos níveis dos rios, queimadas, vulnerabilidade territorial e dificuldades de acesso aos serviços.
A orientação à população será reforçada por ações de comunicação de risco e educação em saúde. A estratégia prevê materiais informativos e orientações sobre prevenção dos efeitos do calor extremo e da fumaça, além do incentivo à procura dos serviços de saúde diante de sinais de agravamento. Neste primeiro momento, a comunicação terá prioridade para a rede de saúde, Centros Regionais e municípios, para garantir que gestores e profissionais recebam informações objetivas e padronizadas para a preparação local.
Neste momento o Estado também está articulando, junto à Defesa Civil Estadual, a construção de um fluxo interinstitucional de resposta para garantir, caso haja necessidade durante o período de seca, a distribuição de água potável envasada e alimentos às populações afetadas. A medida integra o planejamento preventivo para reduzir os impactos da estiagem e assegurar a continuidade da assistência às comunidades mais vulneráveis.
Texto: Roberta Meireles / Sespa

