Cosanpa lança plano preventivo para amenizar impactos do El Niño no Pará
Operação Água Viva reforça o monitoramento de mananciais e estabelece ações de contingência para garantir o abastecimento em Belém, Ananindeua, Marituba e Oriximiná
A Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) criou um grupo de trabalho para elaborar um plano de contingência hidrológico e se antecipar a possíveis impactos do fenômeno El Niño para o fornecimento de água em todo o Estado do Pará. O planejamento reúne ações de prevenção, mitigação e resposta a eventuais ocorrências nos sistemas de abastecimento de Belém, Ananindeua, Marituba e Oriximiná, municípios onde a companhia atua. Batizada de Operação Água Viva, a iniciativa contempla o mapeamento preventivo de riscos e a definição de medidas para diferentes cenários.
“Nosso objetivo é não esperar que um eventual impacto aconteça para agir. Estamos identificando riscos, planejando cenários e preparando recursos para que, se houver alguma alteração provocada pelo El Niño, a Companhia tenha capacidade de resposta rápida e eficiente”, destacou o presidente da Cosanpa, coronel Dilson Júnior.
Monitoramento
Entre as medidas previstas está o monitoramento diário dos mananciais utilizados na captação superficial, como os lagos Bolonha e Água Preta, na Região Metropolitana de Belém, e o rio Trombetas, em Oriximiná.
Atualmente, os níveis dos mananciais estão dentro dos padrões esperados e seguem sendo acompanhados pelas equipes técnicas da Cosanpa.
“Em Oriximiná, realizamos uma visita técnica para mapear possíveis cenários de risco e definir ações necessárias. Esse mesmo trabalho foi realizado na Região Metropolitana de Belém, permitindo à Companhia se antecipar a possíveis impactos e reduzir vulnerabilidades nos sistemas operacionais”, explicou a assessora de Gestão de Riscos da Cosanpa, Leila Blanco.
Estado se prepara
O Pará está entre os estados brasileiros que já se antecipam na atuação, em diversas frentes, em preparação aos efeitos climáticos do fenômeno El Niño, que deverão ser intensificados a partir de outubro e dezembro de 2026 e podem se estender até abril de 2027.
Segundo informa a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas), além de boletins diários e mensais com diagnósticos e prognósticos gerados pela Sala de Monitoramento Climático e Hidrometeorológico do Estado, mantidos pela Diretoria de Monitoramento Ambiental (DIMAM) da Semas, a atuação ainda inclui ações do Comitê Integrado de Resposta à Estiagem e Incêndios Florestais no Pará, do Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF) e do Plano Estadual de Ações a Estiagem, Queimadas e Incêndios Florestais (PAEINF).
De acordo com a Semas, o Pará poderá sentir os efeitos mais fortes do El Niño nos meses de outubro, novembro e dezembro deste ano: além da redução mais acentuada de chuvas, é esperado um aumento nas temperaturas máximas, bem como registros de baixos valores de umidade do ar, redução drástica das vazões e níveis dos rios, prolongamento das condições de estiagens e secas e um aumento acentuado no risco de queimadas e incêndios florestais, com consequente degradação da qualidade do ar em regiões específicas e maior risco de perdas na produção agrícola no Estado.
A Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) também elabora um Plano Estadual de Preparação para o El Niño, com ações de monitoramento, prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno sobre a saúde dos paraenses. A estratégia envolve áreas de vigilância, assistência (atenção primária, urgência e emergência), assistência farmacêutica, os 13 Centros Regionais de Saúde e demais setores, em articulação com os municípios.
A integração de ações prepara a rede pública de saúde para o aumento de agravos relacionados ao calor extremo, à fumaça das queimadas, à estiagem e à redução dos níveis dos rios. A atenção é com o aumento de doenças respiratórias, casos de desidratação, insolação e exaustão térmica, além do agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias preexistentes, e possíveis dificuldades no transporte de pacientes, medicamentos e insumos em localidades dependentes da navegação fluvial.

