Aluno de escola estadual representa o Pará em evento científico da ONU sobre os oceanos
Estudante do município de Maracanã apresenta no Rio de Janeiro projeto de monitoramento ambiental desenvolvido com robótica em parceria com universidades e o CNPq
Estudante da Escola Estadual Izidório Francisco de Souza, em Maracanã, participará de uma programação científica ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). Danilo Carrera integrará uma das mesas de discussão do Workshop do Processo Regular da DOALOS/ONU, que reúne pesquisadores de diferentes países para discutir a situação atual dos oceanos. O evento acontece entre os dias 17 e 21 de agosto, no Rio de Janeiro.
Para Danilo, a participação representa uma oportunidade de levar a voz dos estudantes paraenses e apresentar pesquisas desenvolvidas dentro da escola por meio do Laboratório de Monitoramento Ambiental (Lamam). “É uma responsabilidade e oportunidade de poder levar a voz dos estudantes, representando a escola, município e estado como um todo”, destacou.
Bolsista de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo projeto Jovem Cientista da Pesca Artesanal, o estudante desenvolve, com orientação do professor Hericton Raiol e Arllem Barata, uma pesquisa voltada ao monitoramento de parâmetros físico-químicos do rio Maracanã, utilizando engenharia e robótica.
O projeto tem como foco a cultura oceânica e busca contribuir para a proteção e preservação da biodiversidade presente nos manguezais da região. A iniciativa conta com a parceria do Núcleo de Ecologia Aquática e Pesca da Amazônia (NEAP/UFRA), do Programa Escola Azul Brasil e do Projeto ARMO (Amazon River Mouth Observatory).
Segundo o professor Hericton Raiol, o trabalho desenvolvido na escola nasceu a partir do Lamam, criado para incentivar a iniciação científica no ensino básico. A unidade também integra a rede All-Atlantic Blue Schools Network, que possui reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “Essa ponte estreita os laços entre a universidade e a escola. É isso que nos ajuda a desmistificar o ambiente acadêmico, despertar o interesse dos estudantes e promover a popularização da ciência na nossa região”, destacou.
A escola mantém ainda parcerias com instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De acordo com o professor, essa articulação já possibilitou a conquista de oito bolsas de Iniciação Científica Júnior do CNPq para estudantes desenvolverem pesquisas ambientais e tecnológicas.
A participação de Danilo no evento internacional foi indicada pelo Programa Maré de Ciência, da Unifesp, e pela Olimpíada Nacional do Oceano, da UFPA. Durante a programação, o estudante terá a oportunidade de apresentar os trabalhos desenvolvidos pelo Lamam e ampliar o debate sobre a preservação dos ambientes aquáticos.
Para o estudante, estar nesse espaço também significa mostrar que a ciência pode ser produzida dentro da escola pública e que jovens da Amazônia podem participar da construção de conhecimento sobre o próprio território. “Meu projeto tem como foco envolver a cultura oceânica, que contribui na proteção e preservação da biodiversidade que temos no nosso mangue, que me torna um jovem cientista na Amazônia”, afirmou.
Texto de Walter Afonso, sob supervisão de Lilian Guedes (Ascom Seduc)

