Governo do Pará amplia ações preventivas para reduzir impactos do El Niño
Estratégia reúne monitoramento climático diário, atuação integrada entre órgãos estaduais, educação ambiental e 140 brigadistas distribuídos em áreas prioritárias
Neste ano, o fenômeno climático El Niño pode ser um dos mais severos já registrados, com estiagem prolongada, baixa umidade e calor extremo. Diante disso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) mantém uma estratégia permanente e integrada de prevenção e resposta para reduzir os possíveis impactos do El Niño no Estado. As ações envolvem monitoramento diário das condições climáticas, planejamento entre diferentes órgãos, educação ambiental, prevenção de queimadas e presença de brigadistas florestais nas regiões consideradas prioritárias.
A atuação é orientada pelo Plano Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF), que reúne órgãos estaduais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros Militar do Pará, entre outros. A Semas contribui com o monitoramento do território e a produção de informações que auxiliam o planejamento e a tomada de decisões.
“O Pará trabalha de forma antecipada e integrada para enfrentar os efeitos dos fenômenos climáticos. Nossa estratégia combina informação, planejamento, prevenção, educação ambiental e presença das equipes nos territórios. Esse trabalho conjunto permite proteger a população, os recursos naturais e as atividades econômicas que podem ser afetadas pela redução das chuvas e pelo aumento das temperaturas”, detalha o secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio Romão.
Em junho, a Semas reuniu órgãos estaduais no Centro Estadual Integrado Multiagência de Coordenação Técnica e Operacional (Ciman-PA). O encontro alinhou as ações previstas para o período de maior risco de queimadas e incêndios florestais, apresentou projeções climáticas para o segundo semestre de 2026 e avançou na construção dos procedimentos de funcionamento da Sala de Situação.
Participaram da articulação representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), além das secretarias estaduais de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Agricultura Familiar (Seaf) e Povos Indígenas (Sepi), e do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio).
Brigadistas em áreas prioritárias
Outra frente da estratégia é o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF). A iniciativa organiza e integra as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, fortalecendo a capacidade de atuação do Estado nas áreas mais vulneráveis.
Em 2026, o programa conta com 140 brigadistas florestais, alocados em onze bases estratégicas, distribuídas em dez municípios.
As bases foram planejadas para atender áreas com maior risco de ocorrência de incêndios. A distribuição das equipes e dos equipamentos pelo território amplia a capacidade de resposta do Estado do Pará e reduz o tempo entre a identificação de uma ocorrência e o início do combate.
“A presença permanente das brigadas em pontos estratégicos permite uma resposta mais rápida e próxima das áreas vulneráveis. Além do combate direto ao fogo, as equipes apoiam atividades preventivas e orientações locais. Essa estrutura fortalece a capacidade operacional do Estado e torna a atuação mais eficiente durante o período de estiagem”, destaca o diretor de Fiscalização Ambiental da Semas, Tobias Brancher.
Os profissionais selecionados passaram por formação e treinamento antes de iniciarem as atividades. A preparação incluiu procedimentos de campo, uso de equipamentos de proteção e protocolos para prevenção e combate aos incêndios florestais. Em julho, servidores da Semas também foram mobilizados para apoiar ações preventivas e de enfrentamento ao fogo em diferentes regiões do Pará.
O programa também possui caráter educativo, com a produção e distribuição de informativos e cartilhas destinadas a agricultores familiares, extrativistas e povos originários que retiram seu sustento da terra e da floresta. Os materiais apresentam orientações sobre o manejo responsável do fogo e o descarte correto de resíduos, contribuindo para prevenir incêndios e evitar práticas que possam causar danos ao meio ambiente ou configurar crimes ambientais.
Monitoramento diário orienta decisões
A Sala de Monitoramento Climático e Hidrometeorológico da Semas acompanha diariamente as condições meteorológicas, os focos de queimadas, os níveis dos rios e a qualidade do ar. A partir dessas informações, a equipe elabora boletins, alertas e prognósticos compartilhados com os órgãos responsáveis pelas ações de prevenção e resposta.
O acompanhamento permite identificar tendências de redução das chuvas, aumento das temperaturas e diminuição dos níveis dos rios. Também ajuda a localizar áreas com maior concentração de focos de calor e a orientar o deslocamento das equipes para as regiões mais vulneráveis.
“O monitoramento contínuo transforma os dados em informações úteis para o planejamento do Estado. Acompanhamos a evolução das chuvas, das temperaturas, dos rios, da qualidade do ar e dos indicadores relacionados às queimadas. Quanto mais cedo identificamos uma situação de risco, maior é a capacidade do Governo do Pará de adotar medidas preventivas e direcionar suas equipes”, ressalta o diretor de Meteorologia, Hidrologia e Mudanças Climáticas da Semas, Antônio Sousa.
Os prognósticos consideram ainda os possíveis efeitos do El Niño sobre a Amazônia - que poderá sentir os seus efeitos mais fortes entre os meses de outubro, novembro e dezembro deste ano. O fenômeno, previsto para se estender até abril de 2027, pode contribuir para a redução das chuvas e a elevação das temperaturas, aumentando os riscos de estiagem, diminuição dos níveis dos rios e incêndios florestais. Por isso, os cenários são atualizados continuamente conforme o comportamento das condições oceânicas e atmosféricas.
Com o PEPIF, o monitoramento climático e a articulação entre os órgãos estaduais, o Estado amplia sua capacidade de antecipar riscos e responder aos possíveis impactos do El Niño. A estratégia reúne informação, educação ambiental, prevenção, fiscalização e combate ao fogo, com atenção especial às regiões e populações mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos.

