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Hospital Galileu reforça prevenção para evitar desgaste das articulações pela obesidade

Ortopedista Marcus Pretis explica a relação entre o excesso de peso, dor e doenças articulares e reforça importância de cuidados antecipados

Por Governo do Pará (SECOM)
17/08/2026 11h42

A balança pode revelar mais do que uma questão de peso. Para o sistema musculoesquelético, cada quilo a mais representa uma carga adicional sobre estruturas responsáveis por sustentar e movimentar o corpo. Joelhos, quadris e coluna, submetidos diariamente a movimentos como caminhar, subir escadas e levantar-se, estão entre as regiões mais afetadas pelo excesso de peso.

De acordo com especialistas em ortopedia, o problema, porém, não se resume à sobrecarga mecânica: a própria atividade do tecido adiposo pode contribuir para processos inflamatórios associados à progressão de doenças como a osteoartrite.

O médico ortopedista Marcus Pretis, do Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), referência estadual em trauma ortopédico, observa que a relação entre obesidade e saúde ortopédica é, portanto, mais ampla do que a simples associação entre peso e dor.

“A obesidade exerce dois efeitos importantes sobre o sistema musculoesquelético. O primeiro é mecânico: quanto maior o peso corporal, maior a carga que as articulações precisam suportar, especialmente durante atividades como caminhar, subir escadas e levantar-se”, explica o doutor.

Ele destaca que o tecido adiposo também participa de processos metabólicos e inflamatórios. “Além disso, o tecido adiposo não é apenas um depósito de gordura. Ele produz substâncias inflamatórias que podem contribuir para um estado inflamatório crônico, favorecendo a progressão de doenças como a osteoartrite”, afirma.

De acordo com o doutor Pretis, a obesidade não deve ser encarada apenas como uma questão estética, mas como um fator de risco para a geração de dor, perda de mobilidade e deterioração da qualidade de vida.

Dor não deve ser o primeiro alerta
Os sinais de comprometimento articular podem surgir de maneira gradual e, justamente por isso, acabam sendo incorporados à rotina. Dificuldade para caminhar, subir ou descer escadas, levantar-se de uma cadeira ou permanecer muito tempo em pé são mudanças que merecem atenção. Dor durante ou depois dos movimentos, rigidez após períodos de repouso, inchaço e sensação de perda de força também podem indicar que algo não vai bem.

“Um ponto importante é não esperar a dor se tornar intensa ou incapacitante. Dor recorrente e limitação funcional são sinais de que é importante procurar avaliação médica”, orienta o ortopedista.

A identificação precoce do problema pode fazer diferença na condução do tratamento. Antes que uma alteração evolua para um quadro incapacitante, existem possibilidades de intervenção que passam por mudanças de hábitos, fortalecimento muscular, controle do peso, atividade física adequada e acompanhamento médico.

Para quem já convive com dores ou doenças articulares, a perda de peso pode ser uma importante aliada. Mesmo uma redução considerada modesta pode diminuir a sobrecarga mecânica sobre os joelhos e outras articulações e melhorar a capacidade funcional.

“Quando associamos perda de peso, fortalecimento muscular, atividade física adequada e tratamento específico, podemos reduzir a dor, melhorar a mobilidade e retardar a progressão de algumas doenças articulares”, explica Marcus Pretis.

O emagrecimento, no entanto, não significa necessariamente recuperar uma articulação que já apresenta desgaste avançado. Nesses casos, o benefício está principalmente na melhora das condições clínicas e funcionais. Quando há indicação cirúrgica, a redução de peso também pode contribuir para uma preparação mais segura para o procedimento.

A prevenção começa muito antes do consultório ortopédico. Manter um peso corporal saudável e praticar atividade física regularmente estão entre as principais medidas para preservar a saúde das articulações. O fortalecimento dos membros inferiores e do tronco ajuda a proteger e estabilizar essas estruturas, enquanto o sedentarismo favorece a perda de massa e força muscular.

“Também devemos evitar o sedentarismo, manter uma alimentação equilibrada, dormir adequadamente e tratar precocemente problemas como deformidades, lesões esportivas e alterações da marcha”, afirma o médico.

Há, ainda, um princípio que resume a lógica da prevenção: não é preciso esperar o corpo reclamar para começar a cuidar dele. “Atividade física não deve começar quando aparece a dor; ela deve fazer parte da prevenção”, reforça Pretis.

O peso é uma parte da equação, diz o ortopedista
A obesidade é um fator relevante, mas não explica sozinha todos os problemas articulares. O médico afirma que podem aumentar o risco, fatores como a idade, predisposição genética, histórico familiar, traumas e fraturas, lesões esportivas, alterações no alinhamento dos membros, deformidades, doenças reumatológicas e sobrecarga ocupacional.

O excesso de atividade física, quando realizado de maneira inadequada ou com cargas incompatíveis com a condição física da pessoa, também pode favorecer determinadas lesões. Da mesma forma, a falta de movimento enfraquece a musculatura e reduz a proteção oferecida às articulações. “Portanto, a saúde articular depende de um conjunto de fatores, e não apenas do peso corporal”, resume o ortopedista.

Quando procurar um especialista
A recomendação é procurar avaliação quando a dor se torna persistente ou recorrente, especialmente quando começa a interferir em atividades que antes faziam parte normalmente da rotina. Inchaço persistente, perda de movimento, instabilidade, deformidades, dor noturna importante e dificuldade progressiva para caminhar também são sinais de alerta.

Em situações de trauma, a atenção deve ser redobrada. Dor intensa, deformidade, incapacidade de apoiar o membro ou perda súbita de movimento exigem avaliação imediata.

“Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as possibilidades de utilizar medidas preventivas e tratamentos conservadores, evitando que uma alteração inicialmente simples evolua para um quadro incapacitante”, destaca Marcus Pretis.

Envelhecer não significa perder a mobilidade
Preservar a capacidade de caminhar, trabalhar, brincar com os filhos, viajar e realizar tarefas cotidianas de forma independente é um dos principais objetivos de uma boa saúde osteoarticular. E esse cuidado não deve começar apenas na velhice.

No Galileu, a orientação é manter o peso adequado, praticar atividade física, fortalecer a musculatura, alimentar-se de forma equilibrada e evitar o sedentarismo, sem normalizar dores persistentes.

“Precisamos mudar a ideia de que sentir dor e perder mobilidade são consequências inevitáveis do envelhecimento. Envelhecer é natural; envelhecer com incapacidade não”, afirma o ortopedista.

Texto: Ascom Hospital Galileu