Maior ecossistema de inovação da Amazônia, PCT Guamá mobiliza recursos, ativos de propriedade intelectual e projetos de PD&I
Os dados foram apresentados no relatório de Construção da Matriz de Indicadores Externos do PCT Guamá e estão disponíveis no site da instituição
Maior ecossistema de inovação da Amazônia, o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá é responsável pelo desenvolvimento de produtos e serviços inovadores e sustentáveis para entidades públicas e privadas, além de mobilizar mais de R$ 490 milhões em recursos. Os dados são do relatório “Matriz de Indicadores Externos do PCT Guamá”, que apresenta 21 indicadores organizados em cinco eixos. A versão completa do documento está disponível no portal da transparência da instituição.
Criado em 2009 para atuar como Hub de Inovação, o Parque Tecnológico Guamá, situado em uma Área de Proteção Ambiental (APA), em Belém do Pará, reúne, atualmente, 66 entidades públicas e privadas. “Essa conexão é o que chamamos de modelo de quádrupla hélice. É onde governos, universidades, empresas e sociedade civil se articulam para fomentar a inovação. A sociedade gera uma demanda, as universidades desenvolvem pesquisa e ensino, e as empresas conectam esse conhecimento propondo inovação real que alcance a sociedade”, explica o pesquisador Renato Francês, responsável pela área técnica do parque.
A integração entre os diferentes setores possibilita a ampliação de perspectivas que resultam em soluções inovadoras e sustentáveis voltadas não apenas para a Amazônia, mas também para o mundo. “O Parque Guamá integra pesquisadores das mais variadas áreas do conhecimento, o que resulta em ações e projetos realizados integrando, por exemplo, reflorestamento de territórios de populações tradicionais ao monitoramento ambiental, análise físico-química e de imagens espaciais geradas por satélite”, afirma o professor João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá, responsável pela gestão do ecossistema.
Como resultado desse ambiente de integração e inovação, em 2025 também foram lançados 104 novos produtos e serviços que resultaram em um faturamento superior a R$ 490 milhões, serviços ofertados principalmente a empresas externas, evidenciando forte conexão do Parque com o mercado. “Esse desempenho confirma que empresas e startups paraenses têm capacidade de desenvolver soluções inovadoras, competir em mercados cada vez mais exigentes e gerar emprego, renda e tecnologia para o Estado”, destaca Danilo Cosenza, responsável pelo setor financeiro da instituição.
“Esse desempenho é, também, resultado de um trabalho consistente na construção de um ambiente favorável à inovação que começa pela seleção das empresas que integram o PCT, priorizando negócios inovadores, com potencial de crescimento, capacidade tecnológica e impacto socioeconômico. Também trabalhamos para ampliar a inserção dessas empresas no mercado, promovendo sua participação em feiras e eventos estratégicos, conectando-as às universidades, centros de pesquisa, investidores e instituições públicas”, completou Cosenza.
Além da receita gerada com a prestação de serviços e o desenvolvimento de produtos, o ambiente de inovação também possibilita conexões e bases sólidas de colaboração, resultando em reconhecimento e fomento a novos negócios e projetos, com ênfase em impacto socioambiental. Foram aprovados mais de R$ 65 milhões em projetos com impacto socioambiental.
“O que estamos vendo agora é um fenômeno extremamente positivo: o mundo começa a olhar para isso, os financiamentos são impulsionados e nós aproveitamos essa oportunidade, nos apresentando como o grande ecossistema de inovação, extremamente especializado em bioativos da Amazônia”, aponta Renato Francês.
No mesmo período, foram depositados 10 novos registros de propriedade intelectual, como o Miritiboard VR, um óculos de realidade virtual produzido com o galho da Mauritia flexuosa, o miritizeiro, palmeira amazônica, que recebeu a patente de desenho industrial. Desenvolvido pela Inteceleri, empresa de tecnologias para a educação residente do PCT, o Miritiboard reforça o papel do Parque como um ambiente que estimula a ciência, a pesquisa e a inovação.
“É o caso do que a gente já fez. O Matematicando, por exemplo, foi a minha dissertação de mestrado. Então ele virou um produto, um livro, um aplicativo e uma metodologia. Depois virou um projeto que hoje já impactou mais de 700 mil alunos em sete estados do Brasil e em outros quatro países”, conta o professor e pesquisador Walter Júnior, CEO da Inteceleri.
Para além dos números - Além do faturamento, o ecossistema ainda contou com 189 novas contratações ao longo do ano. São, no total, 824 colaboradores que compõem os quadros de funcionários das empresas privadas, além de 482 pesquisadores que atuam em 131 projetos de P&D em andamento. “As novas contratações foram motivadas pelo crescimento da empresa, pela necessidade de fortalecer as equipes e otimizar os processos internos, além de atender à expansão das operações e à demanda gerada por novos contratos e projetos”, comenta Ellen Monteiro, gestora de recursos humanos da Microdata, residente do PCT Guamá.
Desse total, mais de 70% das colaboradoras são mulheres, enquanto a presença de mulheres nos laboratórios é de mais de 40%, o que reforça o papel do ambiente de inovação com diversidade e inclusão. “O cenário atual é reflexo das políticas públicas e da capacidade e competência das mulheres em ocupar cargos que antes não lhes eram atribuídos. Apesar de o valor numérico ser representativo no corpo técnico, acredito que tende a ser crescente, adotando critérios que estimulem a participação de mulheres, como a oferta de horários flexíveis e compatíveis com a função”, afirma a pesquisadora Luiza Meller, do Laboratório da Qualidade do Leite. Pessoas pretas, pardas ou indígenas somam 30% do quadro de pesquisadores.
O ecossistema do Parque atua como articulador de inovação com impacto social e ambiental, integrando ciência, tecnologia e desenvolvimento socioambiental. “Isso é inerente ao próprio sistema de inovação. Esses atores são fortes agentes para o desenvolvimento regional e do estado e precisam estar interligados. Uma distribuição equilibrada entre homens e mulheres, por exemplo, tende a ser mais eficiente, uma vez que as habilidades se complementam”, completa João Weyl.
PCT Guamá - Primeiro parque tecnológico do Norte do Brasil, o PCT Guamá é uma obra do Governo do Estado do Pará em parceria com a Universidade Federal do Pará e a Universidade Federal Rural do Pará. Gerido pela Fundação Guamá, instituição de ciência e tecnologia privada e sem fins lucrativos, o ecossistema do Parque tem sido o principal mecanismo de interlocução entre a ciência produzida nos laboratórios da Amazônia e o cotidiano das pessoas, a partir de iniciativas de empreendedorismo e da articulação com instituições públicas e empresas privadas.
Ainda de acordo com o relatório, além da expressiva arrecadação, 17 novas ideias de negócios surgiram no parque, as quais deram origem a 6 spin-offs e a outras 14 startups. Todos os dados do relatório estão disponíveis em fundacaoguama.org.br.
Texto: Ascom PCT

