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MÊS DO LETRAMENTO RACIAL

PGE abre exposição “Ranhuras” com obras do artista paraense Petchó Silveira

Mostra reúne obras que abordam questões como racismo, violência, memória, desigualdade e as vivências da população negra e periférica

Por Adaucto Couto (SECOM)
17/08/2026 17h33

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) abriu, nesta segunda-feira (17), a exposição “Ranhuras”, do artista paraense Petchó Silveira. A mostra integra as ações realizadas pela instituição em alusão ao Mês do Letramento Racial e reúne obras que abordam questões como racismo, violência, memória, desigualdade e as vivências da população negra e periférica.

A exposição está instalada no térreo do Prédio Anexo III da PGE, no bairro de Batista Campos, e ficará aberta até o dia 30 de setembro. Além da visitação do público interno do órgão, a programação prevê visitas guiadas para grupos externos mediante agendamento.

Por meio de pinturas e diferentes suportes, Petchó apresenta trabalhos construídos a partir de experiências pessoais e de questões sociais que atravessam sua trajetória. A proposta da mostra é provocar o público a partir de imagens que dialogam com memória, invisibilidade e exclusão. O artista desenvolve um vocabulário visual moldado pela experiência vivida, transformando a dor pessoal em reflexões sobre aqueles que estão à margem da sociedade.

Abertura - Durante a abertura, o artista falou sobre a importância de ocupar com sua obra um espaço público ligado ao sistema judiciário e lembrou que sua produção também nasce das experiências vividas na periferia e de episódios de racismo.

“Depois de entender o poder que eu tinha como artista, passei a levar essa mensagem para que as pessoas entendessem e percebessem o problema do racismo. Eu venho de uma periferia, passei por violência e pelo racismo, e isso acaba nos atravessando e nos traumatizando. Estar em um espaço como este, trazendo o meu trabalho para um local ligado à Justiça, é muito importante para mim”, afirmou Petchó.

Uma das séries apresentadas na exposição é intitulada “Cara de ladrão” e parte de uma experiência vivida pelo próprio artista. Segundo Petchó, a obra surgiu após ele ser abordado por um policial que afirmou que ele tinha “cara de ladrão”.

“Esse racismo tem cara. A gente que é da periferia anda com esse alvo nas costas, porque, onde a gente entra é o suspeito. O meu trabalho fala dessa violência que nos atravessa o tempo inteiro. É também para que as crianças e a população preta entendam que podem estar em qualquer lugar. Esse lugar também é para a gente”, destacou.

A procuradora-geral adjunta administrativa, Carla Melém, ressaltou que a exposição dá continuidade às iniciativas de Letramento Racial, desenvolvidas pela PGE, e utiliza a arte como instrumento de reflexão dentro da instituição.

“No ano passado, na nossa primeira experiência de Letramento Racial, tivemos uma cartilha antirracista e momentos de fala muito importantes. Hoje, temos um momento de imagens. Imagens que impactam e fazem a gente refletir. A visão da periferia, que o Petchó traz, está nos rostos que ele pinta, mas também está no papelão que utiliza, e isso diz muito, tem muitas camadas”, afirmou.

Para a procuradora-geral adjunta do Contencioso, Lorena Rêgo, a presença das obras dentro da PGE também amplia os espaços de diálogo e reflexão entre servidores e visitantes.

“A arte tem esse sentido histórico e político. Fico muito feliz de saber que a gente traz isso para a PGE, para nos provocar, para fazer a gente refletir e criar esse espaço de diálogo interno. Quando a gente se coloca diante de uma obra, estabelece um diálogo com a nossa experiência, com aquilo que já vivemos e com o lugar de onde viemos”, disse.

Letramento Racial - A exposição integra as atividades do mês de agosto, o Mês do Letramento Racial, iniciativa que busca ampliar o debate sobre diversidade, equidade e enfrentamento ao racismo. De acordo com Samila Gusmão, integrante do Comitê de Diversidade e Equidade da PGE e uma das organizadoras da exposição, a expectativa é que a mostra também receba estudantes e grupos de outras instituições.

“É um trabalho que conversa diretamente com aquilo que a gente se propôs a fazer quando disse que agosto deveria ser o mês do Letramento Racial do Estado do Pará. É um mês para refletirmos sobre questões importantes de diversidade e equidade e sobre grupos que muitas vezes são marginalizados e vulnerabilizados socialmente. A ideia é que esse projeto alcance outras pessoas, com visitas de instituições, escolas e universidades”, explicou.

O mediador da exposição, poeta e artista visual, Ney Ferraz Paiva, destacou o papel da arte contemporânea na discussão de questões sociais e a importância de ampliar a circulação das produções artísticas para além dos espaços tradicionalmente destinados a exposições.

“A arte não é simplesmente um efeito ou uma decoração social. Ficamos muito sensibilizados de abrir essa exposição em um espaço não oficial de arte. A luta é sempre para garantir o acesso e a circulação da arte para toda a sociedade. A arte contemporânea quer problematizar uma questão, pensar para além da própria arte”, disse.

O texto de apresentação de “Ranhuras”, assinado por Ney, aponta ainda que a pintura de Petchó não se limita à função de decorar espaços, mas procura envolver o espectador no debate e utilizar a imagem como instrumento de denúncia e reflexão.

Visitação - A exposição “Ranhuras” segue aberta até o dia 30 de setembro, no térreo do Prédio Anexo III da PGE (Trav. Padre Eutíquio, 1490. Batista Campos). O público interno da instituição poderá visitar a mostra durante o período de funcionamento do espaço.

Para o público externo, as visitas serão realizadas mediante agendamento, com possibilidade de mediação para grupos. A proposta é receber instituições, escolas, universidades e outros grupos interessados em conhecer as obras e participar da experiência de reflexão proposta pela exposição.

O agendamento deve ser solicitado via e-mail da Escola Superior da Advocacia Pública (ESAP): esap@pge.pa.gov.br.

Texto: Bárbara Brilhante/PGE