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AGROINDÚSTRIA

Codec articula projeto de agroindústria e liofilização de açaí no município de Tomé-Açu

Reunião alinhou estratégias de apoio técnico, acesso ao crédito do FNO e abertura de mercados internacionais para produtos da agricultura paraense

Por Thais Menezes (CODEC)
25/08/2026 14h36

A Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) realizou, nesta terça-feira (25), reunião de alinhamento institucional e técnico para discutir a estruturação de um projeto de fruticultura, agroindústria e liofilização de açaí e pitaya em Tomé-Açu, no nordeste paraense.

Participaram do encontro o diretor de Atração de Investimentos e Negócios da Codec, Manoel Ibiapina; o gerente de Comércio Exterior, Eduardo Rodrigues; a assessora da Diretoria de Atração de Investimentos e Negócios, Lorena Aguiar; a produtora rural e empreendedora Renata Gomes; o engenheiro agrônomo e consultor técnico Elisson Mota; e o articulador de Projetos e Negócios Thiago Silva.

O projeto prevê o aproveitamento de uma estrutura já existente em Tomé-Açu para a implantação de uma agroindústria inicialmente voltada ao processamento da polpa de açaí. A proposta é começar com a terceirização da liofilização, permitindo testar o produto, avaliar custos e conhecer o comportamento do mercado antes de um investimento próprio em equipamentos.

Durante a reunião, também foram discutidos os desafios enfrentados pela produção de pitaya no Estado, especialmente relacionados à questão fitossanitária. A propriedade já passou por uma transição produtiva e atualmente conta com sete hectares de açaí irrigado, ampliando a perspectiva de desenvolvimento da cadeia na região.

Para o diretor de Atração de Investimentos e Negócios da Codec, Manoel Ibiapina, o projeto reúne condições importantes para agregar valor à produção e ampliar a presença de produtos paraenses em mercados de maior alcance. “Nosso papel é aproximar o empreendedor das instituições, do conhecimento técnico, do crédito e dos mercados. Tomé-Açu já tem produção, estrutura e conhecimento; agora precisamos transformar esse potencial em um projeto viável, com tecnologia, agregação de valor e visão de mercado. A liofilização pode ser uma dessas oportunidades, especialmente para acessar mercados internacionais”, frisou. 

A liofilização foi apontada como uma alternativa para ampliar a vida útil do produto, reduzir peso e volume para transporte e facilitar a comercialização em mercados internacionais. A estratégia também permite avaliar diferentes formatos de apresentação do açaí para consumidores e indústrias.

Como parte dos encaminhamentos, a Codec deverá articular testes de amostras no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), por meio do LabTec, além de buscar informações sobre equipamentos de liofilização já existentes no Estado e possíveis parcerias com empresas que atuam no segmento.

A Companhia também deverá apoiar o levantamento de informações sobre o mercado internacional de açaí e produtos desidratados. Na área de Comércio Exterior, estão previstas articulações com a Câmara de Comércio Chinesa, a Câmara de Comércio Árabe, o Centro Internacional de Negócios (CIN/FIEPA) e a ApexBrasil, com o objetivo de identificar mercados, exigências e oportunidades comerciais.

Outro ponto discutido foi o acesso a financiamento. Segundo Manoel Ibiapina, o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), operacionalizado pelo Banco da Amazônia (BASA), possui linhas que podem atender tanto ao cultivo irrigado quanto à implantação da agroindústria.

A Codec também deverá buscar aproximação com empresas paraenses que já possuem experiência com liofilização, possibilitando conhecer modelos de produção, custos e alternativas para a primeira etapa do projeto.

Para Manoel Ibiapina, a construção do empreendimento deve ocorrer de forma gradual, priorizando a validação técnica e comercial antes da realização de investimentos de maior porte. “A Codec está à disposição para fazer essas conexões e ajudar a construir o caminho. Primeiro, precisamos validar o produto, entender o mercado e estruturar o modelo de negócio. A partir daí, podemos avançar para investimentos maiores e para a inserção desse produto paraense em novos mercados”, enfatizou. 

Uma nova rodada técnica deverá ocorrer a partir de 5 de outubro, com visita ao PCT Guamá e aprofundamento dos estudos de viabilidade técnica, econômica e comercial do projeto.