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Mutirão estadual amplia acesso a cirurgias, exames e consultas em 32 unidades de saúde no Pará

Iniciativa da Sespa mobiliza serviços em 18 municípios e prevê mais de 3 mil atendimentos neste fim de semana, visando avançar na redução das filas do SUS

Por Giullianne Dias (SESPA)
29/08/2026 13h50

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realiza neste sábado (29) e no domingo (30), o segundo Mutirão Estadual de Redução de Filas em Saúde de 2026. A mobilização envolve 32 estabelecimentos de saúde, em 18 municípios paraenses, e prevê a realização de 3.403 atendimentos, entre cirurgias eletivas, exames diagnósticos e consultas especializadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa, que integra o Plano de Redução de Filas em Saúde do Estado do Pará, é realizada em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa Agora Tem Especialistas. O objetivo é ampliar o acesso da população a procedimentos de média e alta complexidade, e acelerar o atendimento de pacientes que aguardam na rede pública.

Empenho dos profissionais para atender e acolher os pacientes

Do total programado para este fim de semana, estão previstas 1.228 cirurgias eletivas, 1.960 exames diagnósticos e 215 consultas especializadas. A programação alcança várias regiões do Pará, com atendimentos nos municípios de Abaetetuba, Altamira, Ananindeua, Barcarena, Belém, Bragança, Cametá, Castanhal, Conceição do Araguaia, Itaituba, Jacundá, Marituba, Oriximiná, Paragominas, Redenção, Rio Maria, Santarém e Tailândia.

Ivison Carvalho, secretário-adjunto da Sespa: ação períódica e planejada

O secretário-adjunto de Gestão de Políticas de Saúde da Sespa, Ivison Carvalho, informa que a estratégia será realizada periodicamente, para alcançar pacientes que aguardam há mais tempo pelos procedimentos. “Esse mutirão, realizado em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa Agora Tem Especialistas, faz parte de uma programação que estamos realizando periodicamente no Estado. A cada dois meses, vamos buscar pacientes que estejam aguardando há mais tempo nas filas de cirurgias para antecipar esse atendimento e proporcionar mais qualidade de vida. A intenção é fazer isso de forma periódica e planejada, para que esses pacientes possam ser atendidos no menor tempo possível”, destacou Ivison Carvalho.

Cirurgias e exames - As cirurgias programadas contemplam 11 especialidades, com destaque para procedimentos oftalmológicos, que somam 725 cirurgias, além de cirurgia geral, ortopedia, ginecologia, urologia, cirurgia vascular, oncologia, otorrinolaringologia, cirurgia geral pediátrica, neurocirurgia e cardiologia.

Já entre os 1.960 exames diagnósticos estão procedimentos laboratoriais, tomografias, mamografias, raios-X, ultrassonografias, eletrocardiogramas, ressonâncias magnéticas, endoscopias, espirometrias, biópsias de próstata, eletroencefalogramas e ecocardiogramas. Também estão previstas consultas em 11 áreas, incluindo endocrinologia, mastologia, ginecologia, cardiologia, urologia, gastroenterologia, ortopedia e neurologia.

No Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, estão programadas 28 cirurgias e 85 exames. Entre os pacientes atendidos está o aposentado Gil Dias da Costa, 79 anos, que passou por cirurgia após sofrer um acidente que lesionou sua perna. “Estou achando o atendimento muito bom. Nas horas certas, as equipes de enfermagem trazem o medicamento e procuram toda hora saber como a gente está. E a cirurgia foi boa”, disse Gil Dias.

A prevenção também integra a programação em Altamira. Maria Lúcia da Silva, 55 anos, realizou mamografia para acompanhar um nódulo. “É a segunda vez que estou fazendo por causa de um nódulo no peito. Eu já tinha feito uma vez, em outro lugar, e senti dor. Aqui foi bem confortável. Gostei do atendimento e não senti dor”, contou a paciente.

A aposentada Lídia Cecília, 68 anos, aproveitou a mobilização para manter os exames preventivos em dia, enquanto duas filhas fizeram mamografia. “Tem muitas mulheres que têm problema de mama. Eu não tenho, graças a Deus, mas faço para acompanhar. Hoje estou aqui, e duas filhas também vieram fazer”, informou.

No oeste paraense - Em Santarém, o Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna (HRBA) participa da mobilização com 24 cirurgias, 390 exames e 15 consultas especializadas, totalizando 429 atendimentos programados.

Neste sábado, a unidade realizou cirurgias cardíacas, oftalmológicas e de cabeça e pescoço, além de Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE). Também foram ofertados exames de tomografia, mamografia e raio-X. A programação continua no domingo (30), com exames laboratoriais.

A dona de casa Marilena Maciel Martins, 61 anos, foi uma das pacientes beneficiadas com mamografia. Para ela, a oferta do exame contribui para estimular outras mulheres a cuidarem da saúde. “Quando soube, fiquei ansiosa para vir. Gostei muito. O atendimento foi maravilhoso. Tem mulheres que têm medo, dizem que aperta e dói, mas aqui não tive nada disso. É muito importante para a população, para tratar da saúde e prevenir doenças. Eu só tenho a agradecer”, disse Marilena.

Maria Brito Pinto, 68 anos, também foi chamada para fazer tomografia no HRBA. “Eu faço acompanhamento aqui e estava aguardando esse exame. Me chamaram e eu vim, graças a Deus! Com certeza, é um exame importante para o meu tratamento”, contou.

Ada Coelho da Silva: mutirão encerrou uma longa espera pelo procedimento

Espera chega ao fim - Em Belém, uma das pacientes beneficiadas pelo mutirão foi Ada Coelho da Silva, natural de Oeiras do Pará (no Arquipélago do Marajó), e moradora da capital há dois anos. Ela foi encaminhada para cirurgia de retirada de um cisto, após conseguir atendimento na Usina da Paz.

Ada disse que buscava o procedimento há bastante tempo, e ficou surpresa com a rapidez. “Eu estava esperando essa cirurgia há uns seis anos. Já tinha feito todos os exames antes, mas depois não consegui mais. Agora consegui uma consulta na Usina da Paz e me encaminharam para cá. Fiquei muito feliz, e achei muito rápido. Minha consulta de retorno foi no dia 12 e já me chamaram agora para fazer a cirurgia”, relatou.

Também atendida em Belém, Patrícia Assunção realizou histeroscopia cirúrgica após exames identificarem a necessidade do procedimento. Ela contou que o problema interferia em sua rotina devido à irregularidade menstrual e a sangramentos prolongados. “Eu me sinto grata porque, se fosse fazer no particular, teria um custo muito alto. Eu já tinha tentado fazer alguns exames particulares, e eram bastante caros. Aqui temos todo o suporte e são feitos vários exames antes, o que passa tranquilidade para realizar o procedimento. Minha expectativa é boa, principalmente por saber que o problema que eu estava enfrentando será solucionado”, afirmou.

Glecenilde Maduro Souza destacou a excelência do atendimento

Glecenilde Maduro Sousa também passou por histeroscopia depois de cerca de três meses entre a identificação da necessidade do procedimento e a realização dos exames pré-operatórios. Segundo ela, “a expectativa é ótima! Acredito que tudo vai dar certo. Sou grata por poder passar por esse procedimento. Desde a primeira consulta, passando pelos exames pré-operatórios até hoje, o atendimento foi muito bom”.

Santa Casa - Na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, na capital, foram realizadas 41 cirurgias neste sábado, contemplando pacientes adultos e pediátricos. Entre os procedimentos estão colecistectomia videolaparoscópica, hernioplastias, anastomose biliodigestiva, hemorroidectomia, fistulectomia, setorectomia, quadrantectomia e orquidopexia.

Valdemir Conceição dos Santos, morador de Ananindeua (na Região Metropolitana de Belém), foi um dos pacientes atendidos. Segundo ele, a ampliação da oferta representa uma oportunidade para quem aguardava pelo procedimento. “Está ótimo o mutirão! Melhora bastante para a gente, que está precisando fazer cirurgia. É muito bom mesmo. Espero que minha recuperação seja breve”, acrescentou.

Gisele Souza Evangelista também acompanhou a mobilização e ressaltou o impacto da iniciativa para quem enfrenta dificuldades de acesso aos serviços de saúde. “Está sendo uma oportunidade muito relevante, principalmente para as pessoas que moram distante. Para mim também está sendo muito gratificante. É uma mobilização que proporciona acesso à saúde pública para quem precisa”, garantiu Gisele.

Redução das filas - O Mutirão Estadual de Redução de Filas em Saúde reúne estabelecimentos de gestão direta e indireta do Estado, serviços contratualizados e unidades administradas por Organizações Sociais de Saúde. Das 32 unidades participantes, quatro pertencem à rede pública estadual, 11 são serviços oferecidos sob contrato e 17 são estabelecimentos geridos por Organizações Sociais.

A mobilização amplia a oferta de procedimentos já regulados e integra a estratégia estadual para enfrentar a demanda reprimida por atendimentos especializados, aproveitando a capacidade instalada da rede em várias regiões do Pará.

A programação do segundo Mutirão Estadual de Redução de Filas em Saúde de 2026 continua no domingo com cirurgias, exames diagnósticos e outros atendimentos previstos nas unidades participantes.