Homenageados apresentam obras, relatam trajetórias e dialogam com o público sobre cultura amazônica
No Ponto do Autor, Luiz Peixoto, o Jabutigão, e Nazaré Pereira lançaram livros e ressaltaram a importância da educação e da cultura em suas carreiras
Os homenageados da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, Nazaré Pereira e Luiz Peixoto, criador do personagem Jabutigão, protagonizaram uma tarde dedicada às suas trajetórias e contribuições à cultura paraense. A programação contou com o lançamento de duas obras inéditas, "Nazaré Pereira, a voz da floresta que conquistou o mundo" e "Jabutigão das Letras e o Mundo Encantado".
O lançamento das obras no Ponto do Autor aproximou o público dos homenageados, que puderam apresentar seus livros, contar um pouco de suas histórias e conversar com os leitores. Em seguida, na Arena Multivozes, a cantora Nazaré Pereira participou de um bate-papo com a jornalista Sônia Ferro, compartilhando histórias de quase 50 anos de carreira artística e ressaltando a importância da educação em sua vida.
“Eu tive muita dificuldade no início. Minha família passou dois meses em uma viagem de navio de Xapuri (no Estado do Acre) até Belém. Estudei, me tornei professora, fui estudar no Rio e depois consegui a bolsa de estudos em Paris (França), tudo o que conquistei foi através dos estudos”, relatou.
Música regional - A artista também relembrou os desafios enfrentados para se firmar como cantora em uma época em que a presença feminina ainda era pouco comum nos palcos. Segundo ela, conquistar espaço e reconhecimento já era uma tarefa difícil no cenário paraense, mas os desafios se tornaram ainda maiores quando levou sua música para fora do Brasil.
“Os músicos de fora não queriam tocar os ritmos do Norte e Nordeste porque achavam cafona, só queriam tocar bossa nova. Até que eu achei um francês que adorava música brasileira, e um músico do Ceará, e nós montamos um grupo. Aí começamos a cantar músicas do Norte e Nordeste”, contou Nazaré Pereira.
Conhecimento - Luiz Peixoto também participou de um bate-papo com o professor Maurício Galiza, no qual relembrou momentos de sua trajetória e experiências no cenário cultural paraense. A conversa destacou o papel do incentivo à leitura na formação do público infantil e na construção do conhecimento desde os primeiros anos.
“O livro é o nosso mundo. É por meio dele que a criança aprende e passa a compreender melhor as coisas. Eu sempre digo que, quando a criança está começando a ler e não entende uma palavra, ela deve voltar à página e ler novamente. Se a pessoa lê às pressas, quando alguém pergunta sobre a história, ela não consegue contar, porque não compreendeu o que leu. Por isso, é importante ler com atenção, entender bem o livro e, quem sabe, depois também começar a escrever. Tudo parte do pensamento positivo”, disse Luiz Peixoto.
O bate-papo também reuniu pessoas interessadas em conhecer mais sobre a trajetória e a produção literária de Luiz Peixoto. A bancária Celeste Ramos, acompanhada da sobrinha Yasmin, acompanhou a conversa com atenção e viveu um momento emocionante quando a jovem, que tem síndrome de Down, subiu ao palco para dançar com o Jabutigão, personagem que fez parte de sua infância.
“Eu conheci o Luiz por meio do meu trabalho e, a partir daí, nasceu uma grande amizade. Ela tinha uns 8 ou 9 anos, e agora está com 33. O Jabutigão faz parte da nossa vida. Ele sempre fazia visitas à escola dela, e isso criou um vínculo muito especial. É uma admiração que temos pelo Jabutigão, tanto pela pessoa, por esse ser humano incrível, quanto pelo escritor, por todo o trabalho que ele realiza em prol da Amazônia”, disse Celeste Ramos.
Serviço: A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes ocorre de 29 de agosto a 06 de setembro no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia - na Avenida Dr. Freitas com Avenida Brigadeiro Protásio. A programação completa está disponível no site da Feira (https://feiradolivroedasmultivozes.com.br/)
Texto: Ascom/Secult

