Sespa promove Encontro Estadual para fortalecer atendimento a mulheres em situação de violência
Evento que integra a programação do Agosto Lilás reuniu gestores e profissionais de saúde para qualificar o acolhimento e alinhar os fluxos de assistência na rede pública
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizou nesta quarta-feira (2), o I Encontro Estadual de Fortalecimento da Atenção à Saúde das Mulheres em Situação de Violência. A programação reuniu gestores, profissionais da saúde e vigilância, além de representantes de instituições que integram a rede de proteção no Pará, com o objetivo de qualificar o acolhimento e ampliar a articulação entre os serviços.
Promovido pela Diretoria de Políticas de Atenção Integral à Saúde (DPAIS) e pela Coordenação Estadual de Saúde da Mulher (CESMU), o encontro integrou as ações do Agosto Lilás 2026, ano em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas. Ao longo do dia, foram discutidos o cenário epidemiológico da violência contra as mulheres, os direitos previstos na legislação, a notificação compulsória e os fluxos de atendimento disponíveis no Estado.
Os serviços de saúde ocupam uma posição estratégica no enfrentamento da violência, pois na maioria das vezes, são os primeiros espaços procurados pelas vítimas. Além de prestar assistência às consequências físicas, sexuais, reprodutivas e psicológicas das agressões, os profissionais podem identificar sinais de violência, oferecer uma escuta qualificada, registrar a notificação e realizar os encaminhamentos necessários de maneira segura.
Durante a abertura, o secretário-adjunto de Gestão de Políticas de Saúde, Ivison Carvalho, ressaltou que os impactos da violência não se restringem à vítima, mas atingem toda a estrutura familiar. Segundo ele, o fortalecimento da política pública depende da combinação entre acolhimento, organização dos serviços e atuação integrada. “Quando uma mulher é agredida, toda uma família também é atingida. Da mesma forma, quando cuidamos de uma mulher, alcançamos seus filhos e toda a rede que está ao redor dela. Por isso, precisamos unir um acolhimento humanizado a fluxos bem organizados, para que essas mulheres recebam uma assistência cada vez mais qualificada. A Sespa reforça seu compromisso com essa política e está à disposição para planejar e construir, junto com os profissionais e as instituições parceiras, os caminhos necessários para avançarmos”, afirmou.
Saúde como porta de entrada
A programação da manhã abordou os 20 anos da Lei Maria da Penha, os aspectos legais relacionados à prevenção e ao enfrentamento da violência e o cenário epidemiológico das notificações no Pará. Também foram apresentadas as estratégias do Plano Estadual de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e a articulação entre os diferentes componentes da rede de proteção. Já pela parte da tarde, os participantes discutiram as especificidades do acolhimento às mulheres trans e travestis em situação de violência, com foco no acesso aos serviços, na equidade e na não discriminação. O encontro também apresentou os fluxos assistenciais do ParáPaz Mulher e do ParáPaz Santa Casa, destinado ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência. Outros temas incluíram o atendimento prestado pela Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará às vítimas de violência, o protocolo de interrupção legal da gravidez e a organização, os serviços e os resultados alcançados pelo Hospital da Mulher Senhora de Nazaré.
A presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES), Danielle Cruz, destacou que os profissionais de saúde precisam estar preparados para perceber sinais que nem sempre são relatados diretamente pelas vítimas. “Nem sempre a mulher que chega a um serviço de saúde vai dizer que está sofrendo violência. É por meio de um olhar atento, cuidadoso, respeitoso e sem julgamentos que o profissional pode identificar essa situação. O acolhimento e a escuta qualificada são fundamentais para compreender o que ela vive e ajudá-la a romper esse ciclo sem revitimizá-la”, ressaltou.
A representante da Secretaria de Estado das Mulheres (Semu), Stefany Wanzeler, também chamou atenção para a importância da autonomia econômica, considerada uma condição essencial para que muitas mulheres consigam se afastar do agressor e reconstruir suas vidas. Entre as iniciativas desenvolvidas pelo Estado estão a política de cotas para a inserção de mulheres acompanhadas pela rede de proteção no mercado de trabalho e o projeto “Eles com Elas pelo Fim da Violência”, voltado à formação de homens multiplicadores. “Não podemos falar sobre o enfrentamento da violência somente com as mulheres. Os homens precisam participar dessa discussão. O projeto trabalha temas como masculinidades, paternidade, respeito às mulheres e prevenção da violência de gênero. Também buscamos ampliar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, com acompanhamento para garantir não apenas a oportunidade, mas sua permanência e autonomia”, explicou.
O encontro teve como público-alvo profissionais da Sespa, dos Centros Regionais de Saúde, das secretarias municipais e de maternidades de referência, além de representantes das instituições parceiras. A iniciativa buscou aproximar os diferentes pontos da rede e contribuir para que o atendimento seja realizado de forma articulada, humanizada e adequada às necessidades de cada mulher.
Ao promover a troca de experiências e apresentar os serviços disponíveis, a Sespa pretende fortalecer a capacidade das equipes para identificar precocemente situações de violência, realizar corretamente as notificações compulsórias e garantir que cada mulher seja acolhida e encaminhada com segurança, respeito e sem discriminação.

