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Pará assina acordo para instalar nova fábrica em Barcarena

Parceria entre o governo do Estado e a iniciativa privada acrescenta uma nova etapa à indústria mineral paraense, permitindo processar minério no Pará e gerar empregos qualificados na região

Por Thais Menezes (CODEC)
03/09/2026 16h37

A Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) firmou, nesta quinta-feira (3), um protocolo de intenções com a empresa Actech – Alumina Chemical Technology, para a implantação de uma unidade de aluminas especiais no Distrito Industrial de Barcarena. O projeto permitirá transformar, no próprio Estado, matérias-primas da cadeia da alumina em produtos de maior valor agregado, destinados a indústrias de alta tecnologia.

A implantação acrescentará uma nova etapa à indústria mineral paraense. Além de produzir e refinar a matéria-prima, o Pará poderá avançar na fabricação de materiais especializados, incorporando tecnologia, conhecimento e trabalho qualificado à sua produção.

O protocolo foi assinado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), em Belém, pelo presidente da Codec, Lutfala Bitar, e pelo CEO da Actech, Mateus Quintela. O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, e o presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), Emerson Rocha, participaram como testemunhas. A cerimônia reuniu representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), Prefeitura de Barcarena, Hydro Alunorte e do setor industrial.

Cadeia da alumina

A unidade definitiva está prevista para ser instalada em uma área de aproximadamente 50 mil metros quadrados, às margens da PA-483, próxima à refinaria Alunorte e ao Porto de Vila do Conde. A localização aproxima o processamento da matéria-prima e favorece o acesso aos mercados nacional e internacional.

A Codec conduziu a definição da área e a preparação das condições institucionais do projeto, com a participação das diretorias de Estratégia e Relações Institucionais, Atração de Investimentos e Negócios, Técnica e Jurídica. A companhia também articulou o diálogo entre a Actech, os órgãos estaduais, o município e as entidades do setor produtivo.

Representando o presidente Lutfala Bitar, o diretor de Estratégia e Relações Institucionais da Codec, Pádua Rodrigues, destacou o trabalho realizado pela companhia. “Quando firmamos um protocolo como este, significa que as etapas prévias foram superadas com segurança. A área destinada ao empreendimento está desimpedida, conta com localização estratégica às margens da PA-483 e fica próxima às plantas da Albras e da Alunorte e ao Porto de Vila do Conde, preenchendo os requisitos operacionais exigidos. Trazer indústrias voltadas à verticalização mineral é a razão de ser da Codec”, detalhou.

Barcarena escolhida para a expansão

A Actech mantém uma unidade industrial em Ouro Preto, Minas Gerais, onde fabrica mais de 70 tipos de aluminas especiais e exporta cerca de 25% de sua produção. Os materiais são utilizados nas indústrias química, aeroespacial, de defesa, eletrônica, de semicondutores, cerâmicas avançadas, refratários, vidros técnicos e tratamento de água.

O CEO da empresa, Mateus Quintela, informou que Barcarena foi escolhida entre três alternativas avaliadas para a expansão da Actech: São Luís, no Maranhão, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

“Tínhamos três alternativas locacionais para a expansão: Barcarena, São Luís do Maranhão ou Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Optamos convictamente por Barcarena, por ser território brasileiro, por estarmos na área de influência do porto e ao lado da refinaria fornecedora. Este pode não ser o maior projeto industrial de Barcarena, em termos de escala física, mas é, indiscutivelmente, o mais emblemático, pois verticaliza a cadeia mineral da alumina, agregando tecnologia e alto valor”, declarou Quintela.

A implantação começará com aporte de R$ 5 milhões na estruturação das atividades de triagem e beneficiamento mecânico. A empresa já alugou um galpão de sete mil metros quadrados em Barcarena para iniciar o pré-processamento e prevê receber os primeiros equipamentos entre setembro e outubro.

As etapas seguintes incluem projetos de engenharia, licenciamento ambiental, obras civis e instalação de fornos destinados à fabricação de cimento aluminoso, alumina tabular e outras aluminas especiais. A entrada em operação industrial está prevista para ocorrer em 24 meses.

Segundo as projeções da Actech, a unidade poderá processar 75 mil toneladas por ano e gerar 150 empregos diretos e qualificados.