Governo do Pará fortalece ações que incentivam a doação de órgãos e tecidos
De 2019 até 2026, foram realizados no Estado mais de 2.900 transplantes, permitindo a milhares de pessoas a continuação de suas histórias de vida
Aos 19 anos, Joab Gomes recebeu uma nova oportunidade de recomeçar. Após enfrentar problemas no fígado desde a adolescência, passou por um transplante do órgão, em mais de 10 horas de cirurgia, e tornou-se, em 2013, o primeiro paciente do Pará a receber um transplante de fígado. Hoje, aos 33 anos, Joab se tornou enfermeiro e pai de duas meninas.
“Sou muito grato à família do doador, porque sem doação não existe
transplante. É importante conscientizar as pessoas sobre a doação e
incentivá-las a declarar que são doadoras, porque, assim, outras vidas podem continuar”, ressalta Joab.
Atuação do Estado - A campanha “Setembro Verde” é dedicada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. O Governo do Pará atua em diversas frentes, ao longo do ano, para fortalecer a iniciativa. Desde 2025, a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém, já realizou mais de 30 doações de córneas e rins.
Segundo a enfermeira Susanny Macedo, coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (E-DOTT) do HC, as ações de doação de órgãos e tecidos são realizadas desde junho de 2023, com o aprimoramento dos processos internos para a busca ativa de potenciais doadores.
“Além da busca ativa, a nossa equipe promove ações educativas e de sensibilização com servidores, pacientes, familiares e o público em geral, por meio de palestras, rodas de conversa e atividades dentro e fora do hospital. Durante o ‘Setembro Verde’, as ações são intensificadas, com dinâmicas de ‘mitos e verdades’, para esclarecer dúvidas e reforçar que o verde simboliza a esperança proporcionada pela doação de órgãos e tecidos”, destaca Susanny Macedo.
Autorização familiar – O médico e cirurgião Rafael Garcia, responsável técnico do Serviço de Transplante Hepático da Santa Casa do Pará e coordenador do Centro Estadual de Referência para Doenças do Fígado, explica que, no Brasil, só ocorre uma doação após a morte encefálica se a família autorizar, mesmo que o doador tenha em vida registrado esse desejo.
“O Brasil tem uma das leis mais rígidas sobre esse assunto em todo o mundo, que exige dois exames, feitos por médicos diferentes, para comprovar a morte encefálica. Além disso, tem um terceiro exame gráfico, o qual comprova que não há mais fluxo sanguíneo no cérebro. Somente depois desses três exames a família toma a decisão de que o parente seja um doador em potencial. Um doador pode salvar até oito pessoas doando o coração, os pulmões, fígado, rins, pâncreas, intestino, ossos, pele, córneas, músculos e tendões”, informa o médico.
Em um dos momentos mais difíceis da vida, a família de Gabriel Vinícius Cruz autorizou a doação do fígado e dos rins, possibilitando o transplante a três pessoas. “A dor da perda era imensa, e nada seria capaz de preencher o vazio que ficou. Mas, ao mesmo tempo, saber que outras pessoas poderiam continuar vivendo graças àquele gesto trouxe um pouco de conforto ao nosso coração. O meu irmão era uma pessoa cheia de amor, bondade e generosidade, por isso, tínhamos a convicção de que esse seria o desejo dele, e tenho a certeza de que a nossa decisão honrou a memória do Gabriel e ajudou outras famílias a continuarem escrevendo suas histórias”, conta a irmã do doador, Aleize Oliveira, 37 anos, moradora de Canaã dos Carajás, no Sudeste paraense.
Córneas – O Banco de Olhos do Hospital Ophir Loyola é referência na área. Após autorização familiar, as córneas são encaminhadas ao banco, onde passam por avaliação, processamento, preservação e classificação. De maneira geral, pessoas entre 2 e 80 anos podem ser potenciais doadoras de córneas. Nos últimos quatro anos, cerca de 2.280 córneas foram captadas.
“O Hospital Ophir Loyola, além de ser referência em câncer, também é referência na área de neurologia. O hospital conta com sua própria Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante, que é responsável tanto pela captação quanto pelo acompanhamento de todo o processo de doação. A equipe também é responsável por entregar o corpo com dignidade e devidamente reconstituído à família, além de oferecer suporte emocional aos familiares dos doadores”, assegura Renata Kós, psicóloga do “Ophir Loyola”.
De 2019 até 2026, foram realizados 2.960 transplantes no Estado, incluindo córnea, rim, medula óssea, fígado e tecido músculo-esquelético. Somente entre janeiro e agosto deste ano, foram realizados 34 transplantes renais, 215 de córnea, 16 de fígado, 24 de medula óssea, sete de tecido músculo-esquelético e dois de esclera, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

