Setembro Verde: Sespa leva conscientização sobre doação de órgãos à Praça da República
Ação da Central Estadual de Transplantes aproximou a população do tema e reforçou a importância de comunicar à família o desejo de ser doador
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio da Central Estadual de Transplantes (CET), realizou neste domingo (13), na Praça da República, em Belém, uma ação de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Integrante da campanha Setembro Verde, a iniciativa orientou a população sobre o processo de doação e reforçou uma mensagem fundamental: quem deseja ser doador precisa comunicar essa decisão à família.
Realizada das 8h às 12h, a programação contou com a parceria da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará e do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA). Profissionais estiveram no local para esclarecer dúvidas e distribuir materiais informativos e laços verdes, símbolo da campanha.
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Silvia Nascimento, explica que levar a campanha aos espaços públicos amplia o acesso às informações e ajuda a enfrentar dúvidas e receios que ainda envolvem o processo.
“Levar o Setembro Verde para espaços públicos é uma forma de aproximar a campanha da população, ampliar o acesso à informação e esclarecer dúvidas sobre a doação de órgãos e tecidos. A iniciativa também estimula o diálogo entre familiares e fortalece a cultura da doação, mostrando que esse gesto de solidariedade pode transformar e salvar vidas”, destacou.
Informação estimula diálogo entre famílias
A aposentada Lúcia Maria da Costa conheceu a ação enquanto passava pela praça. Ela já se considerava doadora, mas ainda não havia comunicado a decisão aos familiares porque desconhecia a necessidade da autorização da família.
“Eu achava que interessava só a mim. Agora entendi que toda a minha família precisa saber. Se acontecer alguma coisa e eu não tiver como sobreviver, posso servir para outras pessoas que precisam. A partir de hoje, vou conversar com a minha família, com certeza. Acho muito bonito saber que outras pessoas podem viver com esses órgãos”, contou Lúcia.
A experiência reforça uma das principais mensagens da campanha deste ano. Com o tema “Você Decide! Diga Sim à Doação de Órgãos e Tecidos, salve vidas — Sua família precisa saber”, o Setembro Verde chama atenção para o papel decisivo dos familiares. No Brasil, a retirada de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização da família. Por isso, comunicar previamente o desejo de ser doador pode trazer mais segurança no momento da decisão.
A programação também contou com uma atividade educativa desenvolvida pela equipe da Santa Casa. Por meio de pinturas, quebra-cabeças e outras abordagens lúdicas, os profissionais trabalharam o assunto de maneira acessível, especialmente com crianças e jovens.
A enfermeira Ana Paiva, integrante da equipe de doação de órgãos e transplantes da Santa Casa, explicou que o trabalho é desenvolvido de forma integrada com a Central Estadual de Transplantes. A equipe atua no rastreamento de potenciais doadores dentro da unidade hospitalar e também participa de ações de conscientização.
“Nossa ação é trazer o tema de forma mais leve, principalmente para crianças e jovens, e mostrar a importância da doação de órgãos e da possibilidade de salvar outras vidas. Em um momento tão difícil, como a perda de um ente querido, também é possível pensar em um ato tão bonito quanto a doação. Trabalhamos de forma lúdica, com pinturas e quebra-cabeças, para que eles entendam que podemos ajudar outras pessoas”, afirmou.
Rede estadual fortalece doação e transplantes
As ações de conscientização acompanham o trabalho desenvolvido pela Sespa para fortalecer a rede estadual de doação e transplantes. Atualmente, o Pará conta com 18 equipes de doação de órgãos e tecidos (e-DOTs) e duas Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), localizadas em Belém e Santarém, além de banco de olhos e serviços transplantadores.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizados no Estado 34 transplantes renais, 215 de córnea, 16 de fígado, 24 de medula óssea, sete de tecido músculo-esquelético e dois de esclera.
Apesar dos avanços, a demanda permanece elevada. Dados da CET/Sespa, atualizados em 31 de agosto, mostram que 753 pessoas aguardam por transplante de córnea, 660 por um rim e 29 por um fígado no Pará. Córnea e rim concentram atualmente as maiores filas.
Segundo Silvia Nascimento, ampliar o conhecimento da população sobre o processo também contribui para enfrentar receios relacionados à doação, como dúvidas sobre o diagnóstico de morte encefálica, medo de que a doação interfira no atendimento ao paciente ou a crença de que a retirada dos órgãos possa desfigurar o corpo.
“É importante esclarecer que a morte encefálica é diagnosticada por critérios médicos rigorosos e que a doação só ocorre após a confirmação e a autorização familiar. O acolhimento e uma comunicação humanizada com essas famílias são fundamentais durante todo o processo”, ressaltou.
Setembro Verde segue até o fim do mês
A mobilização na Praça da República integra a programação desenvolvida pela Central Estadual de Transplantes durante o mês de setembro. As atividades começaram no dia 3, com a abertura simbólica da campanha na praça central da Fundação Santa Casa, com a participação dos integrantes da CET.
A programação segue até o dia 30, quando será realizada uma ação voltada aos profissionais de saúde que integram a rede estadual de doação e transplantes.
Segundo a coordenação da CET, as iniciativas têm contribuído para ampliar o interesse da população pelo tema, estimular conversas dentro das famílias e fortalecer a articulação entre hospitais, instituições parceiras e demais integrantes da rede.
A orientação da Central Estadual de Transplantes é que as pessoas que desejam ser doadoras conversem sobre a decisão com seus familiares. Esse diálogo, ainda em vida, permite que a vontade seja conhecida e possa ser respeitada no momento em que a família precisar autorizar uma possível doação.

