Pará amplia ações preventivas para enfrentar efeitos do El Niño
Estado mantém monitoramento climático frente a projeções para 2026 e 2027 e prepara medidas voltadas à saúde, ao abastecimento de água e ao meio ambiente
O Governo do Pará tem reforçado o planejamento para reduzir os possíveis impactos do fenômeno El Niño no Estado, com ações voltadas à prevenção de queimadas, monitoramento climático, proteção da saúde da população e segurança hídrica. A estratégia ganhou reforço com a declaração de situação de alerta climático e ambiental em todo o território paraense, em caráter preventivo, por meio do Decreto Estadual nº 5.606, de 24 de agosto de 2026.
A medida considera projeções associadas ao El Niño para 2026 e 2027, com possibilidade de redução dos volumes de chuva, estiagem, seca, diminuição da disponibilidade hídrica, incêndios florestais, ondas de calor e piora da qualidade do ar. O alerta tem vigência de 180 dias e prevê atuação integrada entre os órgãos estaduais responsáveis pela prevenção, monitoramento e resposta.
Monitoramento e prevenção - A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) mantém o acompanhamento diário das condições meteorológicas, dos níveis dos rios, dos focos de queimadas e da qualidade do ar. As informações são utilizadas na elaboração de boletins, alertas e prognósticos que orientam a atuação das equipes nos territórios mais vulneráveis.
“O decreto reforça uma atuação que o Governo do Pará já vem desenvolvendo, baseada no monitoramento, na prevenção e na presença do Estado nas áreas prioritárias. Com esse alerta, ampliamos nossa capacidade de antecipar cenários, integrar esforços e adotar as medidas necessárias para proteger a população, os recursos naturais e as atividades econômicas que podem ser afetadas pela estiagem e pelos eventos climáticos extremos”, afirma o secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio Romão.
Entre as ações estão o fortalecimento das brigadas de incêndio florestal, o planejamento para captação e armazenamento de água, o fornecimento emergencial de água potável e alimentos e o apoio à agricultura familiar e às atividades pesqueiras.
Em 2026, o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF) conta com 140 brigadistas florestais distribuídos em 11 bases estratégicas, em dez municípios. O Estado também trabalha na elaboração do Plano Estadual de Adaptação à Mudança do Clima, que deverá orientar medidas de adaptação considerando as diferentes vulnerabilidades do território paraense.
Saúde preparada - Na área da saúde, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) está na fase final de elaboração do Plano Estadual de Preparação para o El Niño. O documento reúne ações de vigilância, assistência, assistência farmacêutica e atuação dos 13 Centros Regionais de Saúde, em articulação com os municípios.
A estratégia considera possíveis aumentos de doenças respiratórias relacionadas à fumaça, casos de desidratação, insolação e exaustão térmica, além do agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias preexistentes. A redução dos níveis dos rios também pode dificultar o deslocamento de pacientes, medicamentos e insumos em localidades que dependem do transporte fluvial.
“O plano organiza a atuação da saúde diante de diferentes cenários, fortalecendo o monitoramento, a prevenção e a capacidade de resposta. Nosso objetivo é antecipar os riscos, apoiar os municípios e garantir que a rede esteja preparada para atender a população nos territórios mais vulneráveis”, afirma o secretário de Estado de Saúde Pública, Ualame Machado.
A rede estadual conta atualmente com 31 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 horas, que poderão atuar no atendimento de casos relacionados ao calor extremo e à fumaça das queimadas. A vigilância epidemiológica também será reforçada por meio dos 11 Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) e dos 58 Núcleos Hospitalares de Epidemiologia.
Antes do período de maior incidência dos impactos, previsto entre outubro e dezembro, estão previstas capacitações, qualificação dos fluxos de notificação e comunicação, orientações técnicas para a atenção primária e definição de um elenco mínimo de medicamentos para regiões de difícil acesso.
Segurança no abastecimento - A Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) também criou um grupo de trabalho para elaborar um plano de contingência hidrológico. A iniciativa, denominada Operação Água Viva, busca antecipar possíveis impactos sobre os sistemas de abastecimento administrados pela companhia em Belém, Ananindeua, Marituba e Oriximiná.
Entre as medidas previstas está o monitoramento diário dos mananciais utilizados na captação superficial, como os lagos Bolonha e Água Preta, na Região Metropolitana de Belém, e o rio Trombetas, em Oriximiná. O planejamento considera diferentes cenários e estabelece medidas de prevenção, mitigação e resposta para preservar a regularidade do abastecimento.
Ação integrada - O planejamento estadual reúne diferentes áreas para antecipar os efeitos de um possível cenário de estiagem, calor intenso, baixa umidade, queimadas e redução dos níveis dos rios. A integração entre meio ambiente, saúde, saneamento, Defesa Civil e demais órgãos busca reduzir o tempo de resposta e priorizar as populações e regiões mais vulneráveis.
A atuação preventiva também está alinhada à situação de alerta climático e ambiental estabelecida pelo Decreto Estadual nº 5.606/2026, que prevê a adoção de medidas para reduzir possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos associados ao El Niño.
Texto: Denise Soares/Secom

