Abelardo Santos ultrapassa 3,5 milhões de procedimentos em quatro anos
Hospital de Icoaraci completa sete anos desde sua reestruturação pelo Governo do Pará: estrutura expandiu acesso a atendimentos de alta complexidade e é referência 24 horas para urgência e emergência pediátrica e obstétrica
O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), localizado no distrito de Icoaraci, em Belém, ultrapassou a marca de 3,5 milhões de procedimentos, realizados apenas nos últimos quatro anos, e completa neste sábado (19) sete anos desde a sua reestruturação pelo Governo do Estado. Considerado hoje o maior complexo hospitalar da saúde pública estadual, o hospital atua na oferta de atendimentos de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e abriga histórias de vida e de boa recuperação de pacientes no dia a dia.
Com mais de 40 mil metros quadrados distribuídos em nove andares, o hospital consolidou sua posição de um dos pilares da rede pública de saúde na Região Metropolitana de Belém. Ele tem 360 leitos divididos entre acomodações clínicas, cirúrgicas, de cuidados intermediários e de Terapia Intensiva para os públicos adulto, pediátrico e neonatal. Além da assistência em internação, a unidade mantém atendimento porta aberta 24 horas para urgência e emergência pediátrica e obstétrica.
Histórias de superação e assistência humanizada
A trajetória exitosa do hospital é contada por casos como o de Wilmara Bentes. Ao dar entrada na unidade com edemas, inchaço provocado pelo acúmulo de líquidos no corpo, e dores intensas, ela enfrentou um quadro grave de eclâmpsia, uma complicação que pode ocorrer durante a gravidez marcada por pressão arterial elevada que coloca em risco a vida da mãe e do bebê. Durante o trabalho de parto, Wilmara sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e um acidente vascular cerebral.
Após o parto de emergência, Wilmara ficou 30 dias em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do complexo. Durante esse período crítico de internação, a enfermeira Samara Silva, coordenadora de Enfermagem da UTI Adulto, esteve à frente da coordenação dos cuidados diários à beira do leito. A equipe garantiu o monitoramento contínuo e a estabilização gradual dos sinais vitais, prevenindo novas complicações e atuando na recuperação ao longo dos meses.
Devido à paralisação temporária da função dos rins, Wilmara passou quase três meses realizando sessões de hemodiálise, procedimento responsável por filtrar artificialmente as impurezas do sangue, além de fisioterapia para recuperar a capacidade de andar. Paralelamente, os profissionais atuaram na assistência à sua filha recém-nascida, que nasceu prematura e precisou de acompanhamento especializado por causa da Alergia à Proteína do Leite de Vaca.
"Apesar de não me lembrar do início, minha família permaneceu ao meu lado o tempo todo. Enquanto eu lutava, minha filha prematura também lutava pela vida até encontrarem a fórmula certa para ela. Quando a enfermeira me deu a notícia de que eu não precisaria mais de hemodiálise, foi o dia mais feliz da minha vida. Poder realizar minhas tarefas diárias, cuidar dos meus filhos e estar com a minha família não tem preço. Minha gratidão é eterna a Deus e a todo o hospital pelo suporte", relembrou Wilmara Bentes.
A enfermeira Samara Silva ressalta o impacto da assistência prestada na unidade. "Acompanhar um caso de alta complexidade como o da Wilmara exige vigilância constante e uma assistência humana e multidisciplinar. Ver a recuperação total dela e a alta para casa reativa no nosso time a certeza do valor e do impacto do trabalho diário do SUS na vida das pessoas", afirmou a coordenadora.
Outro caso emblemático de reabilitação foi o de Ruan Lincoln Nunes, que superou um quadro grave de dengue hemorrágica, forma severa da infecção viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, após ficar mais de um mês internado na UTI. Transferido de Marabá no dia em que prestaria o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o paciente enfrentou complicações como hemorragia abdominal, pancreatite, sepse, caracterizada pela resposta inflamatória generalizada do organismo a uma infecção, parada cardiorrespiratória e infecção pulmonar.
O médico intensivista Ênio Cativo atuou diretamente no manejo das complicações de alta gravidade apresentadas pelo paciente. O doutor acompanhou o tratamento diário na UTI diante de diagnósticos raros para a faixa etária jovem, como a pancreatite necro-hemorrágica, forma mais grave da inflamação no pâncreas. A assistência exigiu controle constante dos parâmetros de ventilação mecânica e o reajuste contínuo das medicações sedativas nas fases de agitação, além do monitoramento intensivo nas 48 horas posteriores à parada cardiorrespiratória.
Devido ao uso de medicações terapêuticas necessárias para o controle do quadro grave, Ruan relata ter pouca lembrança da fase inicial da internação. O paciente passou por cirurgia abdominal, intubação, traqueostomia e transfusões sanguíneas.
"Lembro muito pouco de antes da internação. O atendimento no Abelardo Santos foi muito bom desde a chegada, fui muito bem acolhido e assistido pela equipe a todo momento. Minha rotina mudou por completo após a dengue e hoje estou me adaptando a essas limitações temporárias. Um obrigado seria pouco para agradecer a todos que cuidaram de mim. Deus operou um milagre através da equipe", destacou Ruan Lincoln.
Ênio Cativo celebra a recuperação do jovem. "A recuperação do Ruan foi um desafio que exigiu vigilância constante de toda a equipe. Ver a regressão gradual da doença e a transição da nutrição parenteral para a via oral trouxe um sentimento imenso de alívio e gratidão. Desejo que ele enxergue essa vitória como uma oportunidade de renovação para seguir sua trajetória no Direito atuando em favor da Justiça. Estar a serviço do próximo e trabalhar pela reabilitação de alguém é o que dá sentido à Medicina", ressaltou o intensivista.
Para o titular da Sespa, Ualame Machado, o HRAS tem gerado impactos mistos e expressivos na saúde pública da região ao ter realizado centenas de milhares de atendimentos de média e alta complexidade em áreas como cardiologia, pediatria e ortopedia, como também tem se destacado como polo de obstetrícia e partos humanizados, prestando socorro contínuo a mães e recém-nascidos.
“O desempenho mostrado no hospital desde sua reestruturação mostra a condução do Governo do Estado em cuidar mais das pessoas em todas as regiões do Pará, fazendo do HRAS uma referência em alta complexidade do SUS à disposição dos pacientes que necessitarem do hospital em eventualidades”, destacou.
O diretor-geral da unidade, Flávio Tavares, pontuou que histórias como a de Ruan Lincoln refletem o empenho coletivo de uma equipe focada em entregar assistência segura e eficiente para a população paraense. Esse compromisso se traduz em reconhecimentos, como a conquista do Selo Brasil e da Acreditação ONA Nível 1, que posicionam a estrutura entre os 100 melhores hospitais públicos do país e garantem a qualidade, a segurança e a humanização do cuidado oferecido aos pacientes do Pará.
"Nosso compromisso é trabalhar diariamente para que cada usuário receba um atendimento de excelência, pautado na segurança e no respeito às necessidades de saúde da nossa população. Estar entre os melhores hospitais públicos do país reflete o investimento contínuo na gestão de processos e, principalmente, a dedicação de cada profissional que faz o Abelardo Santos ser uma referência em cuidado humanizado no estado", destacou o gestor.
Assistência à disposição da população
Os dados estatísticos consolidados nos últimos quatro anos, entre 2022 e 2026, refletem a dimensão da performance hospitalar no complexo. No total acumulado do quadriênio, a unidade soma 3.535.465 procedimentos realizados para a população paraense.
Durante o período de quatro anos, a reestruturação dos serviços permitiu a expansão de 30% na capacidade do setor de terapia renal substitutiva com a implantação do quarto turno de funcionamento, resultando em 74.822 sessões de hemodiálise.
No levantamento dos últimos quatro anos, a unidade alcançou a marca de 435.710 atendimentos nas recepções de pronto-socorro. Deste volume, 298.531 foram voltados à urgência e emergência pediátrica e 117.104 foram destinados ao acolhimento ginecológico e obstétrico.
A produção assistencial do quadriênio inclui a realização de 200.587 consultas especializadas e 2.700.176 exames laboratoriais e de imagem, englobando 9.616 mamografias voltadas ao diagnóstico precoce do câncer de mama.
A alta complexidade assistencial registrada entre 2022 e 2026 é demonstrada ainda pelos procedimentos invasivos e de suporte à vida. O hospital contabilizou 35.365 cirurgias no período, abrangendo intervenções de grande porte e projetos de impacto social como as 1.916 cirurgias ortopédicas infantis para a correção de pé torto congênito. A unidade também registrou 26.831 partos e 61.974 altas hospitalares de pacientes reabilitados nos últimos quatro anos, reafirmando o compromisso de toda a equipe multiprofissional com a saúde dos usuários.
Texto: Ascom/HRAS

