Servidores da Semas apresentam projetos territoriais de mestrado à comunidade quilombola de Bujaru
Estudos buscam fortalecer a gestão territorial, valorizar saberes locais e contribuir para o desenvolvimento da comunidade São Judas Tadeu
Servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) participaram, na última quinta-feira (17), da apresentação dos Projetos Territoriais Interdisciplinares (PROTIs) desenvolvidos por alunos da terceira turma do Mestrado Profissional em Inteligência Territorial e Sustentabilidade (PPGITS), do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). A atividade foi realizada na Comunidade Quilombola São Judas Tadeu, no município de Bujaru, no nordeste paraense.
Os projetos são construídos a partir da aproximação dos pesquisadores com o território e buscam integrar conhecimento acadêmico, experiência profissional e saberes das comunidades na proposição de iniciativas voltadas ao fortalecimento da gestão territorial e ambiental, à geração de oportunidades e à melhoria da qualidade de vida da população local.
Entre as iniciativas apresentadas, está uma pesquisa de apoio e fortalecimento da meliponicultura, atividade que pode contribuir para a geração de renda, a valorização das potencialidades do território e a conservação ambiental.
Entre os participantes, estão servidores da Semas que cursam o mestrado e desenvolvem seus trabalhos a partir de desafios identificados diretamente no território. A coordenadora de Educação Ambiental da Semas e mestranda do programa, Andreia Monteiro, destaca que o processo permite construir soluções de forma conjunta com a comunidade.
“Esse trabalho parte da escuta e do diálogo com quem vive no território. A proposta é aproximar o conhecimento técnico e acadêmico dos saberes da comunidade, identificando potencialidades e construindo caminhos que contribuam para a educação ambiental, para o fortalecimento das organizações locais e para a valorização das pessoas que vivem e cuidam desse território”, afirma Andreia.
O servidor da Semas e também aluno do mestrado, Leonardo Freitas, explica que as atividades desenvolvidas têm como eixo o fortalecimento da autonomia da comunidade na gestão do próprio território.
“Estamos desenvolvendo atividades voltadas ao fortalecimento da gestão territorial e ambiental na comunidade quilombola São Judas Tadeu, em Bujaru. Este trabalho tem como propósito valorizar a cultura local, fomentar oportunidades socioeconômicas e promover o desenvolvimento de iniciativas que assegurem o bem-viver da comunidade, alinhando-se aos objetivos do movimento quilombola na busca pela autonomia de sua gestão territorial”, ressalta Leonardo.
Integração entre conhecimento e território
A proposta do Mestrado Profissional em Inteligência Territorial e Sustentabilidade é aproximar a formação acadêmica de desafios concretos enfrentados nos territórios, estimulando a elaboração de projetos capazes de gerar resultados sociais, ambientais e econômicos.
Para o coordenador do mestrado, Marcos Paulo, a atividade realizada em Bujaru demonstra essa integração entre a formação dos alunos e a realidade das comunidades.
“Encontramo-nos no território da comunidade São Judas Tadeu, em Bujaru, onde nossos discentes e servidores da Semas apresentam projetos interdisciplinares voltados ao desenvolvimento local, com foco em impactos socioeconômicos e ambientais para a região”, explica.
A construção dos projetos também considera demandas apresentadas pelos próprios moradores. Entre os públicos contemplados pelas propostas estão mulheres e jovens, além de iniciativas relacionadas ao fortalecimento da organização comunitária, da meliponicultura e de outras oportunidades de desenvolvimento a partir das vocações e potencialidades existentes no território.
Integrante da coordenação da Associação da Comunidade Quilombola São Judas Tadeu, Iraci Loube Belém destaca que a aproximação com os alunos dá continuidade a um processo de parceria e construção conjunta que já vem ocorrendo na comunidade.
“Os alunos do mestrado nos visitaram trazendo projetos voltados para as mulheres e para os jovens. Estamos dando continuidade a um trabalho que já vem sendo realizado há algum tempo no nosso território. A gente agradece a oportunidade e acredita que essa parceria trará muitos benefícios para o território quilombola, para o desenvolvimento da nossa comunidade e também da nossa associação”, afirma Iraci Belém.
A apresentação dos PROTIs representa uma etapa do trabalho desenvolvido ao longo do mestrado e permite que as propostas sejam discutidas diretamente com a comunidade, contribuindo para que as iniciativas acadêmicas estejam conectadas às características, prioridades e potencialidades do território quilombola.

