Pássaro e obra de Molière encerram comemoração pelos 47 anos do Teatro Waldemar Henrique
Durante três dias, várias manifestações artísticas celebraram o funcionamento do espaço, cujo nome homenageia uma das referências da cultura paraense
O Teatro Experimental Waldemar Henrique (TEWH), em Belém, encerrou, na sexta-feira (18), a programação especial em comemoração aos seus 47 anos. Com entrada gratuita, a celebração reuniu apresentações de dança, música, teatro e cultura popular, aproximando o público da produção artística paraense.
Realizada durante três dias, a programação foi aberta na quarta-feira (16), com apresentações voltadas às artes corporais e expressões culturais amazônicas. As atividades também ocuparam o espaço externo do teatro, permitindo que pessoas que circulavam pela Praça da República acompanhassem as atrações.
Na quinta-feira (17), a programação foi dedicada à música, com destaque para a cultura popular e a identidade paraense. O encerramento contou com a apresentação do Pássaro Tucano, no palco externo, e do espetáculo teatral "O Médico à Força", da Companhia de Teatro Cena Aberta, no palco principal.
Três dias de celebração - Segundo Marcelo do Carmo, coordenador do Teatro Experimental Waldemar Henrique, a programação foi organizada para contemplar diferentes linguagens artísticas e celebrar a trajetória do espaço cultural.
“Este ano, o Teatro Waldemar Henrique completou 47 anos de existência. Organizamos uma programação que se estendeu por três dias: iniciamos na quarta-feira com dança, contando com a participação das companhias Ribalta e Volet. Ontem, dedicamos o dia à música, com a apresentação do Boi Vagalume da Marambaia no início da noite e, na sequência, o show do cantor Johan Ibanda no palco do teatro. Hoje, é o dia de encerramento das festividades: no palco externo, montado em frente ao teatro, temos o Pássaro Tucano, e no palco principal, a Companhia de Teatro Cena Aberta finaliza nossa programação”, disse o coordenador.
Tradição cultural - A programação de encerramento começou às 18h, com a apresentação do Pássaro Tucano, coordenado pela Mestra de Cultura Popular Iracema Oliveira. A manifestação cultural, que celebra seu centenário, reuniu o público em frente ao teatro.
Para Iracema Oliveira, o convite para participar das comemorações representou um reconhecimento à trajetória do grupo e à importância da preservação da cultura popular paraense. “Esta apresentação possui um significado especial para nós, sobretudo por homenagear Waldemar Henrique, uma figura que sempre nos inspirou e continua a nos iluminar. Quando recebemos o convite da Fundação, senti uma enorme satisfação, especialmente por celebrar o centenário do Pássaro Tucano, um legado que carrego comigo desde 1981”, declarou Iracema.
A guardiã ressaltou ainda a importância do apoio institucional para a continuidade da manifestação cultural durante todo o ano. Segundo ela, “é gratificante notar o interesse crescente do público, visto que o Pássaro é uma manifestação cultural genuinamente paraense, única em todo o mundo. O apoio constante da Fundação Cultural do Pará é essencial, pois nos permite ir além do período junino”.
'Cena Aberta' para a comédia - No palco principal do Teatro Waldemar Henrique, a Companhia de Teatro Cena Aberta encenou “O Médico à Força”, comédia do dramaturgo francês Molière.
A montagem, coordenada pela paraense Margaret Refkalefsky, aborda com humor questões relacionadas às relações sociais e à violência doméstica. A história acompanha uma mulher que, após sofrer agressões do marido, planeja uma vingança.
Segundo Margaret, o elenco foi formado a partir de uma oficina realizada no Núcleo Curro Velho, vinculado à Fundação Cultural do Pará. A experiência, inicialmente planejada para participantes sem experiência, reuniu estudantes de teatro com conhecimentos técnicos. “Após a apresentação de duas cenas do texto, o grupo se entusiasmou e decidimos encenar a obra na íntegra. Desde então, realizamos apresentações no Curro Velho e em outros espaços da cidade, sempre com excelente receptividade do público”, informou.
É a primeira experiência de Margaret Refkalefsky como diretora, com auxílio de César Machado. Os dois também assinam o figurino, enquanto a trilha sonora foi composta por Maurício Panzera, com a colaboração de outros profissionais.
A diretora explicou que o espetáculo mantém a essência da obra de Molière ao utilizar o humor como instrumento de reflexão sobre problemas sociais. “Estar aqui hoje é muito significativo. Fui aluna do Waldemar Henrique na Escola de Teatro, onde ele atuava como diretor e também como gestor do Theatro da Paz. Ele foi um grande amigo e mentor, que sempre promoveu nosso trabalho em festivais. O nome de Waldemar Henrique simboliza uma conquista histórica da nossa classe”, enfatizou Margaret.
Público - A programação também atraiu visitantes de outras regiões do Brasil. O professor de Educação Física Hélio Neves, está em Belém com um grupo do Sesc de Porto Alegre (RS) para participar do Encontro Nacional da Pessoa Idosa. Durante uma caminhada pela Praça da República, Hélio e integrantes do grupo assistiram à programação cultural em frente ao teatro.
“Ao sairmos para caminhar à noite percebemos o movimento, a presença dos indígenas, as vestimentas típicas e a estrutura montada. Ao nos aproximarmos, vimos o palco e uma banda maravilhosa. Ficamos encantados! Então, decidi convocar o restante do nosso grupo, que ainda estava nos quartos, para que viessem prestigiar o evento”, disse Hélio Neves.
Ele destacou a diversidade de participantes e a presença de diferentes gerações nas apresentações. “O que mais nos chamou a atenção foi a diversidade dos personagens e a integração geracional: desde crianças e adolescentes até o público da terceira idade. Todos atuando com alegria e leveza. Houve também um toque de irreverência e descontração que tornou a experiência muito agradável”, ressaltou.
Texto: Maurício Carvalho - Ascom/FCP

