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Seirdh promove ação do Setembro Amarelo com acolhidos de abrigo em Belém

Roda de conversa e bingo promoveram reflexão, descontração e valorização das pessoas em situação de vulnerabilidade

Por Adaucto Couto (SECOM)
23/09/2026 14h07

A Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) promoveu, nesta quarta-feira (23), uma ação alusiva ao Setembro Amarelo no Abrigo João de Deus, localizado no bairro da Cidade Velha, em Belém. A atividade reuniu os acolhidos para uma roda de conversa sobre a importância da valorização da vida e do cuidado, seguida de um bingo, que proporcionou momentos de descontração e convivência.

"É muito importante quando a gente vem ao abrigo porque conseguimos mostrar que os acolhidos são parte da sociedade. Porque quando você está numa situação de vulnerabilidade na rua, você se sente sozinho, você se sente entregue. E muitos deles estavam em situação assim, no alcoolismo, envolvidos com droga, abandonados. E essa ação é para mostrar que eles fazem parte da sociedade e que ela olha para eles. E esse é o trabalho da secretaria. Dar oportunidade para que essas pessoas, que se sentem excluídas, possam se sentir incluídas. É assim que funcionam as nossas ações, buscando a inclusão de todos, principalmente dos que estão em situação de vulnerabilidade social", comenta o gerente de Promoção dos Direitos das Pessoas Vulneráveis, da Diretoria de Direitos Humanos da Seirdh, Igor Barata.

Cuidados - Fundado há 45 anos pelo padre Francisco Gugliotta, da Ordem dos Padres Xaverianos, o Abrigo João de Deus é uma instituição filantrópica administrada pelas Irmãs Missionárias de Jesus Bom Samaritano, vinculadas à Arquidiocese de Belém. Atualmente, a instituição acolhe 34 pessoas, entre idosos e pessoas em situação de rua. O espaço oferece acolhimento, cuidados e acompanhamento aos moradores, muitos deles com histórias de vida marcadas por diferentes situações de vulnerabilidade.

Entre os acolhidos está Bernaldo Rodrigues da Silva, de 64 anos, que vive na instituição há 10 anos. Para ele, a realização de atividades no abrigo reforça a sensação de pertencimento.

"A gente se sente acolhido em cada ação. Porque conseguimos atendimento que precisamos. Todos que sempre vêm aqui na instituição, seja para palestrar ou trazer algum tipo de doação, a gente fica feliz. A gente se sente reconhecido. Eu me sinto bem quando vem grupos nos visitar, trazer esse minuto de descontração. Só de estarem aqui, eu fico feliz. Porque ainda têm pessoas que se importam com a gente. Porque aqui somos restaurados psicologicamente e fisicamente. Aqui recebemos orientação, tratamento, cuidados. Eu me sinto muito bem", afirmou.

A assistente social do abrigo, Adriana Clícia, destaca que as ações realizadas por instituições parceiras contribuem para fortalecer o trabalho desenvolvido diariamente pela equipe e também ajudam a dar visibilidade às necessidades dos acolhidos.

"O abrigo funciona há 45 anos sempre recebendo doações. Ele trabalha com o acolhimento de pessoas em situação de rua e idosos, prioritariamente os que não têm vinculo familiar ou estão rompidos. Porque quem está nas ruas há inúmeros motivos. As pessoas chegam aqui enfermas, em situação de vulnerabilidade. Nós fazemos o acolhimento inicial. E também ajudamos indo atrás da documentação. Hoje nós temos 34 acolhidos e grande parte tem mais de 60 anos. E tem gente que mora aqui há quase 40 anos. As ações que ocorrem aqui no abrigo fortalecem o trabalho e são positivas. Até porque a equipe não é grande. E é um outro braço e dá visibilidade ao trabalho realizado aqui, porque também vivemos de doação. Sempre falta fralda, produtos de higiene, entre outros itens", afirmou.

Texto: Andreia Espírito Santo/Seirdh