Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA

Comitê Gestor estadual aprova criação de Câmara Técnica de Adaptação Climática

Câmara vai contribuir com o Plano Estadual de Adaptação Climática e fortalecer estratégias à prevenção e respostas aos impactos das mudanças do clima

Por Arthur Sobral (SEMAS)
24/09/2026 10h57

O Comitê Gestor do Sistema Estadual sobre Mudanças Climáticas (COGES-Clima) aprovou, na última segunda-feira (21), a criação da Câmara Técnica de Adaptação Climática. O grupo deve contribuir, entre outras contribuições, para a continuidade da elaboração do Plano Estadual de Adaptação Climática. O foco é fortalecer a integração entre políticas públicas e ações preventivas desenvolvidas pelo Governo do Pará para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta aos efeitos das mudanças climáticas.

A criação da Câmara Técnica reforça a estrutura de governança climática do Estado diante de um cenário que exige planejamento de médio e longo prazo e, ao mesmo tempo, capacidade de preparação para eventos extremos. A proposta é articular conhecimento técnico, monitoramento e políticas públicas para que as medidas de adaptação sejam incorporadas de forma transversal às estratégias estaduais.

“A adaptação climática exige planejamento, integração entre diferentes áreas do poder público e capacidade de transformar conhecimento técnico em ações concretas nos territórios. A criação desta Câmara Técnica fortalece a governança climática do Pará e cria um espaço permanente para avançarmos na construção de estratégias que considerem as diferentes realidades do Estado e preparem nossa população e nossos territórios para os impactos das mudanças do clima”, destaca a secretária adjunta de Gestão de Águas e Clima da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Renata Nobre.

A elaboração do Plano Estadual está relacionada às estratégias de adaptação desenvolvidas em articulação com a iniciativa AdaptaCidades, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do governo federal. A iniciativa busca fortalecer a atuação de estados e municípios na agenda de adaptação, com capacitação técnica, informações sobre riscos climáticos, orientações metodológicas e apoio à construção de planos e políticas capazes de ampliar a resiliência dos territórios.

No Pará, esse planejamento ocorre em paralelo a outras medidas adotadas para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos. O Estado mantém ações de monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas, geração de informações para subsidiar decisões e estratégias de prevenção e resposta diante de cenários de estiagem, seca, ondas de calor e maior risco de queimadas e incêndios florestais.

“O monitoramento climático é fundamental para compreendermos não apenas o que está acontecendo agora, mas também os possíveis cenários para os próximos meses. A partir da análise das condições meteorológicas, hidrológicas e dos indicadores climáticos, conseguimos produzir informações que auxiliam o Estado no planejamento preventivo e na tomada de decisões, principalmente em períodos de maior vulnerabilidade a eventos extremos”, explica Antonio Sousa, coordenador de Monitoramento Climático, Hidrometeorológico e Qualidade do Ar da Semas.

Prevenção e combate aos incêndios florestais

Entre as estratégias estaduais, está o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF). O programa foi instituído em 2025 para fortalecer o planejamento, a prevenção, o monitoramento e a resposta aos incêndios florestais no território paraense.

As ações incluem monitoramento, atuação de brigadas florestais, articulação entre instituições e iniciativas de Manejo Integrado do Fogo (MIF), que trabalham a prevenção, a preparação e a resposta ao fogo. O programa atua de forma integrada com o Corpo de Bombeiros Militar do Pará, a Defesa Civil e outras instituições envolvidas na prevenção e no enfrentamento aos incêndios florestais.

Em 2026, a atuação das brigadas foi ampliada em áreas estratégicas do Pará, reforçando a presença operacional durante os meses de maior risco. Paralelamente, o Governo do Pará desenvolve ações educativas e capacitações voltadas, entre outros públicos, a agricultores familiares, com orientações sobre Manejo Integrado do Fogo, prevenção de incêndios e alternativas ao uso inadequado do fogo.

“O enfrentamento aos incêndios florestais começa muito antes do combate direto ao fogo. Nosso trabalho envolve planejamento, monitoramento, preparação das equipes, presença nos territórios e, principalmente, prevenção. A integração com os municípios, comunidades, agricultores, brigadistas e demais instituições permite ampliar essa capacidade de resposta e trabalhar para reduzir os riscos justamente nos períodos mais críticos”, afirma Yasmim Ramos, coordenadora da Coordenadoria de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (CEPIF) da Semas.

As ações de prevenção ocorrem em um período de atenção para o Estado. Em julho de 2026, o Pará registrou 640 focos de queimadas, redução de 69% em comparação à média histórica de 2.065 registros para o mês. Em agosto, foram contabilizados 3.962 focos, queda de 61% diante da média histórica de 10.178. As médias utilizadas na comparação consideram a série histórica de 1999 a 2025.

Os resultados foram registrados durante um dos períodos de maior risco para queimadas e incêndios florestais no Pará e reforçam a importância da continuidade das medidas de prevenção, monitoramento, preparação e resposta, associadas ao planejamento de longo prazo para adaptação às mudanças climáticas.

*Texto de Bianca Campos, estagiária, com supervisão de Arthur Sobral - Ascom/Semas