Seirdh realiza palestras sobre racismo e trabalho escravo para estudantes do Nordeste paraense
Programação em Acará e Concórdia do Pará debateu preconceito e aliciamento para orientar jovens sobre direitos humanos e canais de proteção
A Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) realizou, na quarta-feira (23), ações educativas com estudantes do Acará e de Concórdia do Pará, na Região de Integração do Tocantins, Nordeste do Estado. Por meio de palestras e rodas de conversa, as Diretorias de Igualdade Racial (DIR) e de Direitos Humanos (DDH) abordaram temas como racismo, bullying e enfrentamento ao trabalho análogo à escravidão.
As atividades tiveram como objetivo ampliar o conhecimento dos estudantes sobre direitos humanos e contribuir para que os jovens reconheçam situações de discriminação, violência e exploração, além de conhecer formas de prevenção e enfrentamento dessas violações.
Em Acará, a ação foi realizada na Escola Municipal Pinto Marques. Para a técnica da Seirdh, Joyce Modesto, levar o debate sobre trabalho escravo contemporâneo para o ambiente escolar é uma forma de prevenção e conscientização.
"O projeto Diálogo Educativo aproxima os jovens de uma realidade que ainda existe e que precisa ser discutida. Levar esse tema para as escolas é uma forma de prevenção, conscientização, mas principalmente de mostrar para esses estudantes que conhecer seus direitos também é uma forma de proteção", destacou.
A diretora da escola, Joelma Gomes, também ressaltou a importância da palestra para a formação dos estudantes. "A ação contribui para a formação deles com o conhecimento sobre o trabalho escravo contemporâneo, para que saibam identificar e alertar sobre situações em que seus direitos possam ser violados. Além disso, eles aprendem sobre como combater o racismo e outros preconceitos", comentou.
Os estudantes puderam compartilhar experiências durante a atividade. Aos 15 anos, Thiago Dias de Moraes contou que já foi vítima de bullying e racismo e afirmou que o encontro contribuiu para ampliar sua compreensão sobre os temas.
"Isso vai me ajudar bastante a refletir mais, porque eu também já fui vítima de bullying e racismo pela minha cor e pela minha voz. Essa palestra vai me ajudar a entender mais sobre o bullying e a não machucar as pessoas com as palavras. E os outros alunos também vão aprender a importância de respeitar o outro", comentou.
Letramento racial - Em Concórdia do Pará, a programação ocorreu na Escola Estadual Amabilio Alves Pereira. Participaram estudantes do 3º ano do Ensino Médio do Amabílio Alves, Aluízio Chaves e Escola Quilombola João Braga de Cristo.
A coordenadora da Diretoria de Igualdade Racial da Seirdh, Vanessa Barbosa, explicou que o letramento racial amplia a compreensão dos jovens sobre as diferentes manifestações do racismo e as formas de enfrentá-lo.
"Esse trabalho faz a gente abrir o leque de visão de mundo e de sociedade, sobre o que é considerado racismo e o que não é, usando uma linguagem acessível e de fácil entendimento. A gente também aprende com eles e consegue perceber como essa geração está lendo a sua própria etnia", afirmou.
Para a coordenadora de Educação Quilombola da Secretaria Municipal de Educação de Concórdia do Pará, Danieli Marques Rodrigues, as palestras de letramento racial e diálogo sobre o trabalho escravo são fundamentais para orientar os jovens.
"Esses alunos tiveram a oportunidade de participar de um momento de escuta e diálogo, em que puderam compreender como as diferentes formas de racismo acontecem na sociedade e o impacto que isso pode ter na vida de cada um. E sobre o trabalho escravo, sabemos que muitos jovens, diante de ofertas que parecem boas, acabam entrando em situações em que ficam aprisionados sem saber que aquilo não era um trabalho, mas uma armadilha. Por isso, as orientações são muito pertinentes por servirem de alerta", frisou.

