Cadastro de criadores de abelhas avança nos polos de produção de mel do Nordeste paraense
Equipe da Adepará percorre quatro municípios, regulariza produtores e reforça cuidados com a saúde das colmeias, visando manter a qualidade do mel produzido no território paraense
A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) intensificou o cadastro de criadores de abelhas em municípios estratégicos da região Nordeste. No município de Primavera, na Região de Integração Rio Caeté, a ação foi realizada no Sindicato de Produtores Rurais e na biblioteca pública da cidade. O mutirão também contemplou produtores dos municípios de Santarém Novo, São João de Pirabas e Quatipuru, que se destacam na produção de mel no Pará.
Além da regularização, o mutirão ofereceu orientação técnica sobre sanidade apícola, fator essencial para garantir a qualidade do mel e a sustentabilidade da atividade.
Com mais de duas décadas de experiência, a apicultora Maria Dolores da Silva participou da iniciativa em busca de aprimoramento. No último ano, ela alcançou uma produção de 380 quilos de mel, e agora pretende expandir o apiário.
“Estou adquirindo novos conhecimentos e buscando melhorias para a minha criação. É fundamental saber identificar sinais de doenças para prevenir problemas nas colmeias”, disse Maria Dolores. Ela ressaltou a diversidade de sabores do mel da região, resultado das diferentes floradas, incluindo áreas de mangue próximas à sua propriedade.
Selo de qualidade - Primavera vem ganhando destaque no setor, e conta com uma cooperativa que recebe a produção local. O mel produzido no município já conquistou o selo de produto artesanal da Adepará, certificação que assegura qualidade e segurança ao consumidor.
Segundo o médico veterinário e fiscal agropecuário Gerlan Alvarenga, o cadastro dos produtores é uma etapa essencial para fortalecer a cadeia produtiva. Segundo ele, “com o produtor cadastrado é possível rastrear a origem do mel. Caso surja algum problema, conseguimos identificar a propriedade e adotar as medidas necessárias, garantindo a segurança do alimento”.
A organização da produção também avança por meio da Cooperativa Agroindustrial de Homens e Mulheres da Agricultura Familiar (Cooprima), que reúne cerca de 20 produtores da região. De acordo com a presidente Joelma Nunes, o grupo investe na diversificação dos derivados da produção das abelhas.
Atualmente, a cooperativa trabalha com mel, pólen, extrato e pomadas de própolis, além de produtos de pomada de apitoxina — substância com propriedades anti-inflamatórias — e hidromel, bebida fermentada à base de mel.
Com a certificação artesanal, os produtores ampliaram o acesso ao mercado. “O selo abriu portas. Agora, podemos participar de chamadas públicas e até inserir nossos produtos em supermercados, com segurança e regularização”, informou Joelma Nunes.
Mel e açaí - O produtor Waldy Uchôa, que também investe em diversificação, agora integra a apicultura à produção de açaí. As abelhas atuam na polinização da plantação e geram diferentes tipos de mel, disponíveis para degustação na propriedade, que começa a se estruturar para receber visitantes e interessados na atividade.
A expectativa de Waldy para este ano é produzir 5 toneladas de mel de abelhas do tipo Apis e cerca de 300 litros de mel de abelhas nativas sem ferrão (meliponas).
Para a Adepará, o cadastro agropecuário é fundamental para garantir a regularidade da produção, facilitar a fiscalização e promover o desenvolvimento da cadeia do mel no Estado. Produtores que não participaram do mutirão podem procurar uma unidade da agência para se cadastrar.
“É importante que todos estejam regularizados. Assim, fortalecemos uma atividade essencial para a economia rural e garantimos uma produção saudável e segura para o consumidor”, orientou Rômulo Albuquerque, da Gerência de Rastreabilidade e Cadastro das Adepará.

