Conservação do meio ambiente e reinserção social são marcas do projeto Limpeza de Vias Públicas

12/02/2020 13h43 - Atualizada em 12/02/2020 14h23
Por Igor Oliveira (SECOM)

“É maravilhoso estar aqui, porque antes a gente só vivia confinado e, agora, é possível trabalhar e compartilhar com a sociedade o que aprendemos”. O depoimento é de um dos internos que participaram, nesta quarta-feira (12) em Ananindeua (região metropolitana de Belém), do projeto Limpeza de Vias Públicas, coordenado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A iniciativa possibilita que 180 custodiados na Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI) realizem serviços de pintura de meio fio, limpeza e poda de mato no canteiro central e nas calçadas públicas.

Nesta semana, o projeto segue do bairro do Entroncamento até o centro de Ananindeua - totalizando 10 km de vias contempladas com os serviços - e depois será direcionado para avenidas Independência e João Paulo II, na capital. Em seguida, há o planejamento para atividades nos bairros atendidos pelo programa Territórios Pela Paz (TerPaz).

Além da conservação do meio ambiente e da melhoria de qualidade de vida nas ruas, o projeto tem o objetivo de promover a reinserção social dos participantes. “É um projeto realizado em cidades como Belém, Santarém e Marabá, através de convênio com secretarias municipais. Este ano, nós ampliamos o número de participantes para 180 custodiados, divididos em 6 equipes para trabalhar nas ruas. Dessa forma, levamos a mão de obra prisional às vistas da sociedade, mostrando que os internos são pessoas trabalhadoras que estão cumprindo sua pena e se capacitando para o retorno ao convívio social”, explica o titular da Seap, Jarbas Vasconcelos. O projeto também possibilita a redução da pena dos custodiados: três dias de trabalho equivalem a um dia a menos a ser cumprido na unidade prisional. 

Oportunidade e diálogo - O trabalho dos internos é coordenado pela Diretoria de Reinserção Social e pela Diretoria de Engenharia. Os serviços são escoltados por agentes da Seap. Todos os participantes fazem curso de capacitação para as atividades e recebem equipamentos de proteção individual (EPI) para a realização dos serviços.

Belchior MachadoO diretor de Reinserção Social da Seap, Belchior Machado, explica que o acompanhamento dos participantes da iniciativa é constante. “A seleção de quem vai trabalhar é feita por uma equipe multidisciplinar, com psicólogo e terapeuta ocupacional, que conversam antes e depois das atividades. A maioria dos internos também faz parte da educação regular, ou seja, estão estudando regularmente em qualquer etapa”.

A equipe de reinserção social também promove diálogo para que os custodiados reflitam sobre como o trabalho deles beneficia a população. “Eles conversam com a gente sobre a oportunidade de mostrar nosso trabalho com dignidade e não voltar para o crime. Também fico feliz porque estamos mostrando como a cidade vai ficar limpa”, ressalta um dos internos.

Jarbas VasconcelosJarbas Vasconcelos observa que o projeto Limpeza de Vias Públicas permite a realização de atividades como jardinagem, limpeza e paisagismo a um custo menor ao orçamento público se comparado ao processo regular para execução dessas atividades. O secretário também reforça que a iniciativa só foi possível a partir do combate ao crime organizado para retomar o controle das unidades prisionais. “A partir do momento que estabelecemos controle total dos pavilhões, é possível organizar mobilidade e capacidade dos internos para que eles estudem, trabalhem e realizem outras atividades. A sociedade vê que é um processo de força policial, mas que também passa por assistência médica e jurídica e se completa com trabalho, educação e reinserção social”, reitera o secretário. 

Em 2019, 1,8 mil internos trabalharam nos projetos coordenados pela Seap. Para este ano, a previsão é dobrar a quantidade de participantes nas atividades sociais organizadas pela secretaria.