HC oferece atendimento psicológico a familiares de crianças cardiopatas

Serviço é assegurado diariamente às  crianças e acompanhantes nas UTIs, seguindo todas as medidas de prevenção contra a propagação do coronavírus

02/07/2020 13h32 - Atualizada em 02/07/2020 17h23
Por Melina Marcelino (HC)

A Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV) vem criando alternativas, nesse momento de pandemia, para fortalecer a saúde emocional de pacientes e até de seus familiares. Um exemplo é o acompanhamento sensível de psicólogos do HC junto a mães de crianças cardiopatas internadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Pediátrica.

A psicóloga Tatiana Montalvão tem acompanhado de perto pacientes crianças e mães como Nanci de Oliveira, cujo bebê segue internadoPsicóloga da UTI Neonatal e Pediátrica da FHCGV, Tatiana Montalvão afirma que as famílias têm apresentando um medo extremo da morte, o que provoca uma série de problemas psicológicos. O resultado são sintomas como dor de cabeça, no abdômen, erupções na pele, perda de sono e outras reações sintomáticas.

“Se dentro de casa as pessoas já estão com esse sentimento de medo por conta do coronavírus, imagina dentro de um ambiente hospitalar que é um lugar mais propenso às doenças e a pessoa tendo que proteger a si mesma e ao seu filho cardiopata”, pondera ela.

Tatiana Montalvão aponta que "as visitas são muito importantes para o desenvolvimento da criança cardiopata, tanto no seu desenvolvimento físico como mental, e as mães também se sentiriam mais acolhidas e amparadas se tivessem a oportunidade de receberem as visitas, suspensas por motivos de prevenção”.

A mãe Nanci Oliveira afirma que a atuação da equipe de psicologia lhe deu o suporte que precisava nesse momento difícilPor causa da pandemia, apenas um familiar pode acompanhar o paciente, visitas ampliadas estão suspensas assim como alguns serviços, como o da brinquedoteca, classes hospitalares. Mães e crianças tiveram que se adaptar a uma nova rotina.

Mesmo com a descontinuidade de certos serviços, a equipe de psicólogos tem conseguido desenvolver um trabalho de acolhimento e escuta. “Tivemos que pensar em uma nova maneira de fazer com que essas crianças e mães se sentissem acolhidas. Então, disponibilizamos livros e brinquedos às crianças, além de todo o nosso acompanhamento com elas e as mães, mas tomando todas medidas de prevenção e cuidado, que precisamos neste momento. Tentamos dar um suporte às mães para que não se sintam solitárias”, disse a psicóloga Tatiana Montalvão.

O suporte psicológico tem contribuído para fortalecer emocionalmente mães como Nanci de Oliveira, cujo bebê Murilo, de apenas 16 dias de vida, é cardiopata e precisou de internação com urgência no hospital.

Nanci de Oliveira conta que o serviço psicológico a amparou. “O mundo caiu na minha cabeça e do meu marido, porque além de pensarmos na situação dele, pensamos nele internado nesse momento de pandemia, e em um ambiente hospitalar que é um lugar que concentra infecções. Nos primeiros dias, fiquei muito abalada, porque não podia ficar o dia todo com o meu filho. Meu marido também não e isso me deu uma grande aflição. Por mais que eu saiba que essa redução de visita é fundamental para a segurança do meu bebê, isso mexeu com o meu psicológico. A equipe de psicologia me deu o suporte que eu precisava nesse momento difícil”.

A mãe do bebê acrescenta que as psicólogas desenvolveram formas para que ela mantivesse a calma. “As psicólogas conversavam comigo todos os dias, me acompanharam e me ajudaram a amadurecer a ideia de que tudo iria passar, além de me mostrar experiências de várias situações. O melhor de tudo é que parece que elas me conhecem há muito tempo, parece que não é apenas uma relação de profissional e paciente, mas sim, uma conversa de ser humano e ser humano. Elas passam segurança, conforto e cuidado comigo e com o meu filho”, contou a mãe do pequeno Murilo.

Atualmente, a equipe de psicologia é composta por duas profissionais. Uma psicóloga na UTI Neonatal; outra, na UTI Pediátrica. O atendimento se volta às  crianças e acompanhantes nas UTIs, seguindo todas as medidas de prevenção. Também é prestado atendimento online e telefônico, para os pais receberem informações sobre o boletim médico dos seus filhos, e acompanhamento psicológico.