Grupamento reduz em 70% crimes fluviais no Pará

24/05/2021 11h00 - Atualizada em 24/05/2021 12h22

Seja para passeios, visitas médicas ou como fonte de renda, grande parte da população paraense faz dos rios estradas que ligam diferentes regiões do Pará. E é justamente nesses trajetos que o Grupamento Fluvial (Gflu) -vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup)- atua para que as rotas percorridas pelas comunidades ribeirinhas sejam feitas com segurança e tranquilidade.

O Grupamento atende ocorrências policiais nas comunidades, entre elas, a pirataria fluvial na qual os principais alvos dos criminosos são as embarcações que navegam nos rios que banham o Estado. Neste ano, de janeiro a abril, 20 casos de pirataria fluvial foram registrados em todo o Pará, resultando em uma queda de 70% em comparação com o mesmo período de 2020, que registrou 67 ocorrências. Os dados são da Secretária Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac).

A conquista é fruto dos fortes investimentos da gestão que têm facilitado as operações deflagradas ao longo dos meses. Neste ano, a capacidade operacional da segurança fluvial dobrará. Até o final do ano, 15 novas embarcações serão entregues, além de 43 que passam pelo processo de remotorização e revitalização, que consiste na substituição de todos os equipamentos por novos itens, além da pintura de cascos e afins. As lanchas revitalizadas e motorizadas estão sendo entregues para as Regiões de Integração de Segurança Pública (RISPs).

O Pará recebe ainda este ano a primeira base integrada flutuante da segurança pública que está em processo de construção. A base ‘Antônio Lemos’ ficará localizada na margem direita do rio Tajapuru, no distrito de Antônio Lemos, município de Breves, controlando grande parte do fluxo oriundo dos estados do Pará, Amapá e Amazonas.

Além disso, duas embarcações blindadas já foram entregues ao Gflu. A lancha entregue em março deste ano possui características específicas consideradas de ‘nível II’, que se adequam à peculiaridade regional do Estado. As embarcações possuem escotilha de defesa (abertura para colocar o armamento), visão termal e noturna, GPS, sonar, rádio marítimo e megafone, além de capacidade para oito tripulantes sentados.

O novo equipamento tem capacidade de navegação em baías e costa aquática, podendo ser empregada em qualquer região do Pará, como destaca o delegado Arthur Braga, diretor do GFlu. “O sistema de navegação moderna tem nos dado uma maior segurança e celeridade mas missões, fazendo com que as ocorrências sejam solucionadas o mais breve possível e mantendo assim a paz pelos rios do Pará

Um exemplo disso é a operação ‘Maria Velha’ que teve um tempo de resposta muito rápido”, descreve o diretor.

Operações nos rios- No início de maio, a guarnição do Gflu conseguiu recuperar três motores: dois do tipo rabudo (7HP) e um Yamaha (40HP), além de duas embarcações do tipo rabeta. Uma das embarcações foi roubada na Ilha de Paquetá; a outra, fruto de outro roubo em Cotijuba.

A primeira fase da operação ‘Maria Velha’ foi responsável por recuperar a ambulancha "Maria Velha" do Serviço Móvel de Urgência e Emergência (SAMU) do município de Portel. A ambulancha estava de 7 a 9 metros de profundidade, no rio Jambutinema, no braço do rio Pacajá, em frente ao igarapé Cancuera. Já a segunda fase da operação, resgatou dois motores, duas voadeiras, dois tanques de combustíveis e aparelhos celulares das vítimas do assalto a mão armada da embarcação que faz linha de Portel até o Rio Aruanã. Os objetos estavam em diferentes pontos da mata às margens do Igarapé Guajarazinho, zona ribeirinha de Portel.

Valdeci Dias, proprietário do barco que sofreu o assalto, ainda se recupera do susto e relata a gratidão por ter seu objeto de trabalho recuperado. “Nós levamos passageiros aos seus destinos buscando sempre dar a maior segurança possível, em oito anos de navegação, este foi o primeiro assalto que sofremos. Ficamos felizes e gratos com a rápida resposta da segurança pública em nosso caso, recuperando não só nossas embarcações mas também os celulares dos passageiros que foram vítimas dos criminosos”, relata. 

Por Aline Saavedra (SEGUP)