No Natea da Policlínica Carajás, Psiquiatria acolhe famílias e fortalece vínculos
Serviço especializado em Marabá, no sudeste estadual, garante diagnóstico, orientação e apoio humanizado a crianças com autismo

Em Marabá, no sudeste paraense, o Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (NATEA), da Policlínica Carajás Miguel Chamon, tornou-se um porto seguro para famílias que buscam cuidado, diagnóstico e acompanhamento especializado. Entre os serviços disponibilizados pelo Governo do Pará, a Psiquiatria se destaca ao oferecer atenção integral, escuta qualificada e orientação precisa, assegurando às crianças e suas famílias esperança e suporte para o desenvolvimento saudável.
Para muitas mães, o atendimento psiquiátrico representa uma virada de página em suas histórias. Foi assim com Renata Pereira de Souza, mãe de Dominique Souza, 6 anos, moradores de Abel Figueiredo, na região de Carajás. “Quando cheguei aqui, estava perdida, sem saber como ajudar meu filho. Hoje, com o acompanhamento, sinto que não estou sozinha. Eles me escutam, orientam e me dão forças para acreditar que meu filho pode alcançar cada vez mais conquistas”, relatou emocionada.

Edna Paixão, também de Abel Figueiredo, mãe de Emanuel Paixão, 5 anos, define o acolhimento da equipe como “um abraço em forma de cuidado”. “Já tinha buscado ajuda em outros lugares, mas foi aqui que me senti ouvida. Meu filho recebe atenção especial e eu, como mãe, encontro orientação e esperança. Cada consulta é um alívio e uma nova dose de confiança para o coração”, afirmou.

A coordenadora do NATEA, Beatriz Barros, reforça que o serviço nasceu com a missão de acolher cada criança e sua família de forma única. “Nosso compromisso é garantir que ninguém se sinta sozinho nesse caminho. A Psiquiatria, junto com as demais especialidades, fortalece esse propósito ao mostrar que é possível transformar desafios em oportunidades de crescimento. Aqui, cada avanço é celebrado como uma vitória coletiva”, destacou.

Papel da Psiquiatria
No NATEA, a Psiquiatria desempenha um papel essencial no cuidado integral às crianças. Mais do que prescrever medicamentos, o especialista acompanha o desenvolvimento, identifica sinais precoces do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e orienta os responsáveis em cada fase do tratamento. Essa atuação fortalece o vínculo entre família e equipe multiprofissional, tornando o processo de cuidado mais seguro e humanizado.
Para o psiquiatra Rafael Silva Aguiar, que atende na instituição, o trabalho vai além da dimensão clínica. “No NATEA, buscamos compreender a criança em sua totalidade, suas emoções, comportamentos e interações. Nosso papel não se limita ao diagnóstico, mas envolve acolher as famílias, orientar e construir estratégias que favoreçam o desenvolvimento infantil”, explicou o especialista.

Ele ressalta ainda que o avanço das crianças só é possível graças à atuação conjunta. “Cada conquista é resultado do empenho da equipe multiprofissional, que trabalha de forma integrada para oferecer um cuidado completo e humanizado. Essa união garante que o atendimento vá além da consulta médica e se traduza em qualidade de vida para as famílias”, acrescentou.

Como acessar o serviço- Para ter acesso ao atendimento do Natea, as famílias devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município onde residem. Após a primeira avaliação, o caso é encaminhado à Central de Regulação Municipal e, em seguida, para o Sistema Estadual de Regulação (SER), que direciona o paciente de acordo com o perfil clínico identificado.
A atuação do Natea em Marabá, gerenciado pelo Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), se baseia em um modelo multiprofissional e interdisciplinar, que reforça a abordagem centrada no sujeito, considerando suas necessidades cognitivas, comportamentais, comunicativas, motoras e sociais.
Texto de Ederson Oliveira