Projeto da Uepa aproxima alunas da ciência por meio de oficinas interativas
Iniciativa promove encontros quinzenais no Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA) e apresenta um panorama das diferentes áreas do conhecimento científico

Despertar o interesse de alunas pelo conhecimento científico é o principal objetivo do projeto "Astrociência: Meninas nas Ciências no Pará". A iniciativa é voltada para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental ao 2º ano do Ensino Médio, regularmente matriculadas em escolas públicas e privadas do Estado.
O projeto promove encontros quinzenais no Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA), espaço vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade do Estado do Pará (Uepa). As atividades envolvem temas de variadas áreas, tais como: Astronomia, Química, Física, Matemática e Biologia, buscando ampliar a participação feminina em segmentos científicos historicamente dominados por homens.
“O objetivo é mostrar que as meninas podem ocupar qualquer espaço, construir seus próprios caminhos e enxergar na ciência uma possibilidade real de futuro”, destaca a coordenadora do projeto, professora Vania Lobo, que é docente da Uepa e também responsável pelo espaço da Química do CCPPA.

Concebido como um projeto de extensão, o Astrociência iniciou em 2023, vinculado ao Coletivo Feminino Tainá-Kan, por meio de iniciativa das professoras da Uepa, Bianca Venturieri e Jeane Costa. Em 2025, as atividades começaram a ser desenvolvidas em maio, com uma programação interativa. “Foi apresentado às alunas um panorama das diferentes áreas do conhecimento científico e o funcionamento das visitas escolares, que ocorrem, rotineiramente, no Centro de Ciências e Planetário do Pará. A partir daí, a agenda foi integrada por oficinas práticas, com foco no aprendizado lúdico e participativo”, detalha a professora Vania Lobo.
Neste ano, já foram realizadas as oficinas: “Operação e manutenção de telescópio”; “Química ambiental: processo de conversão de resíduos orgânicos em energia”; “Eletroquímica em ação: contribuição para a sustentabilidade e preservação do meio ambiente”; “Luz Química: desvendando o brilho da ciência”; “Inclusão e Meninas nas Ciências”; e, a mais recente, “Pedagogia e Museus de Ciências”.
Aprendizado - A última oficina citada, ocorrida na tarde de quinta-feira (28), teve como foco refletir sobre o caráter museal do Centro de Ciências e Planetário do Pará, destacar a importância do pedagogo nos espaços museais e promover a conscientização sobre a necessidade de uma ciência cada vez mais integrada a um olhar humanístico.
“A oficina dialogou diretamente com a missão do Centro de Ciências e Planetário do Pará, afirmando que o local é, de fato, um museu de ciência e tecnologia. O encontro propôs que os museus de ciência, como o próprio Centro, devem ser espaços educativos vivos, que conectam a ciência à sociedade e promovem o engajamento com o conhecimento científico, de forma significativa e relevante para a vida das pessoas”, afirma a técnica em Pedagogia do CCPPA, Alice Sousa, uma das profissionais que conduziu a atividade.
A pedagoga destaca que a integração de um olhar mais humanístico nos museus de ciência transforma a experiência do visitante, pois vai além da simples transmissão de informações. “Essa abordagem torna o aprendizado mais significativo e relevante, e busca a construção de saberes e o desenvolvimento de um olhar crítico sobre a ciência e suas implicações. A experiência se torna mais rica e inclusiva, focada na interação e na descoberta”, explica Alice.

Este é o segundo ano em que a estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, Adrya Lohanna, participa das atividades do Astrociência. Para ela, a experiência “está sendo incrível”. “Estou obtendo vários conhecimentos novos, sobre o Planetário e sobre as ciências no geral. Eu decidi continuar no projeto, pois queria aprender ainda mais com os experimentos e demais assuntos do campo da ciência”, comenta a participante, que sonha em atuar na área da Astronomia.
A aluna do 2º ano do Ensino Médio, Sabrina Trindade, soube do projeto por meio de sua irmã e logo submeteu sua inscrição. “Eu achei muito bom aprender mais, então, me inscrevi. É muito gratificante saber que cheguei aqui. Consegui aprender vários conhecimentos e está sendo uma experiência muito boa. Gosto de laboratório e pretendo entrar no curso de Medicina”, relata.
Elizabeth Araújo, estudante do 1º ano do Ensino Médio, iniciou sua participação no Astrociência para obter experiência e novos conhecimentos. Ela destaca que a oficina “Luz Química: desvendando o brilho da ciência” foi uma de suas preferidas. Na atividade, foi explorado o fenômeno da quimiluminescência, que ocorre quando uma reação química resulta na emissão de luz. Um exemplo está nas pulseiras de néon, que brilham quando seus componentes químicos são misturados. “Quando tive contato com o experimento, já queria fazer em casa para mostrar para toda a minha família. Foi muito legal”.
De acordo com a professora Vania Lobo, mais do que oficinas, o projeto tem proporcionado "experiências lúdicas e interativas, que transformam o modo como as meninas veem a si mesmas e ao mundo, promovendo a juventude feminina da Amazônia como protagonista da ciência”.