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JANEIRO BRANCO

Hospital Regional da Transamazônica promove ações de conscientização sobre saúde mental em Altamira

Programação incluiu palestras para usuários e rodas de conversa com colaboradores, reforçando o cuidado integral e o combate ao uso excessivo de telas

Por Governo do Pará (SECOM)
24/01/2026 13h40

O Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, no Sudoeste do Pará, promoveu, nesta quinta-feira (22), uma série de ações alusivas à campanha Janeiro Branco, com foco na conscientização sobre a saúde mental. Por meio de palestras e rodas de conversa direcionadas a pacientes, acompanhantes e colaboradores, a unidade - que é referência para mais de 500 mil habitantes no sudoeste do Pará - buscou desmistificar tabus psicológicos e discutir os impactos do uso excessivo de tecnologias no bem-estar emocional. 

A agricultora Rosângela Freire é paciente do HRPT e conseguiu assistir toda a palestra no Ambulatório, na quinta, 22. Tema indispensável, defende a trabalhadora. “São problemas que as pessoas têm psicologicamente e afetam o trabalho, as relações, a produtividade e toda a vida do ser humano. É importante que possamos nos cuidar. Nem todos têm acesso a ações sobre o assunto, por isso esse tipo de conversa ajuda”, avalia.

Referência para uma população de mais de 500 mil habitantes e nove municípios, o Regional da Transamazônica mantém equipes multiprofissionais que contam com psicólogos em todos os setores da unidade. A rede oportuniza que usuários, como Isanilde da Silva Costa, 56 anos, tenham contato com especialistas, reflitam sobre o tema e levantem questões que passaram a fazer parte da vida de gerações mais atuais. “Todos nós temos problemas que afetam nossa saúde mental, mas o que eu vejo atualmente é que uma causa pode ser a maior: a tela”, critica, sobre o uso excessivo de tecnologias. “A gente não vê mais criança brincando como antes. Menino de um, dois anos chora e a mãe já dá um celular para o filho deixar em paz”, completa.

A psicóloga Fernanda Lago, responsável pela palestra que a dona de casa assistiu, alerta: “O uso do celular e jogos digitais pode comprometer porque gera, por exemplo, características de ansiedade. É preciso olhar com atenção para saber até que ponto isso é prejudicial”. Isanilde até se esforça, mas competir com a tecnologia está cada vez mais difícil. “Eu mesma tenho neto que passa 24 horas no celular”, lamenta. A dica da psicóloga é resgatar memórias e laços afetivos. “Não tem como anular a era em que estamos, mas precisamos entender que não podemos ser dependentes. Nesse caso pontual entra o papel dos pais e responsáveis, como momentos sem celular e interação direta, para que as crianças busquem interesse por atividades [recreativas]”, finaliza.

Quem cuida, também precisa de cuidados

Como parte da programação da campanha Janeiro Branco, o Hospital Regional Público da Transamazônica realiza rodas de conversa entre colaboradores, como a de quinta-feira. “A gente também cuida de quem está cuidando aqui dentro. Falar de saúde mental é importante para que os colaboradores também se coloquem como prioridade, assim como priorizam os usuários”, reflete a psicóloga assistencial do HRPT, Jéssica Alencar.

O tema ainda desperta desconforto na população brasileira, mesmo entre profissionais que atuam em ambientes onde a missão é levar saúde, inclusive mental, a pacientes, diz a psicóloga. “Apesar de se falar muito, ainda é um tabu sobre o qual nem todo mundo sabe se portar, se conhecer e se entender”. A explicação pode estar enraizada no preconceito contra pessoas que têm transtornos com sinais e sintomas visíveis, dificultando a aceitação quando o corpo não expõe as marcas. A roda de conversa contou ainda com a participação do monitor do Instituto de Suicidologia da Bahia, Mayender Santana de Sousa. Ele estimula que “quando você se abre para escutar o outro, também se permite a aprender sem o mesmo grau de sofrimento. O importante são pessoas que estão do seu lado”, conclui.

Texto de Rômulo D’Castro