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NUTRIÇÃO

Hospital da Mulher do Pará utiliza “chope de frutas” para aliar nutrição e terapia no tratamento de pacientes

Com foco no reaproveitamento integral de alimentos, iniciativa promove hidratação e bem-estar durante o período de internação

Por Helen Alves (HMPA)
28/01/2026 08h00

Colorido, refrescante e saboroso, o chope de frutas, chamado em outras regiões do País pelos nomes de “sacolé”, “dindin” ou “geladinho”,  passou a integrar a rotina de cuidado das pacientes internadas no Hospital da Mulher do Pará (HMPA). O diferencial está no preparo ao adotar o reaproveitamento integral de frutas. O projeto desenvolvido pela equipe multiprofissional de Nutrição e Fonoaudiologia, em parceria com o serviço de cozinha hospitalar, transforma um gesto simples em acolhimento, nutrição, bem-estar e sustentabilidade.

A proposta surgiu inicialmente com um objetivo terapêutico, mas o projeto ganhou reforço com o aproveitamento integral dos alimentos ao evitar o desperdício e garantir uma opção nutritiva e de maior aceitação para pacientes com dificuldade alimentar, além de proporcionar uma experiência diferenciada na rotina das pacientes.

Segundo a nutricionista do serviço da cozinha hospitalar, Beatriz Rodrigues, os “chopes” preparados em horários programados, diariamente, contribuem para a absorção de nutrientes e na hidratação essenciais à recuperação da saúde. “No nosso projeto sustentável, utilizamos frutas que já fazem parte da rotina da cozinha hospitalar, cada dia e conforme à demanda e recomendações, reaproveitamos partes de cascas de frutas como a melancia, abacaxi e melão, que só trazem benefícios, concentram água, ajudando a diminuir a retenção de líquido e contém vitaminas, como a A e a E", informa. 

Para a supervisora de Nutrição do Hospital da Mulher do Pará (HMPA), Marcela Araújo, o projeto vai além da oferta alimentar. “Por se tratar de um alimento cultural, tivemos a ideia de desenvolver o ‘chope’ como uma opção nutricional, mas também como uma forma de educação alimentar. Orientamos acompanhantes, familiares e as próprias pacientes sobre como preparar e dar continuidade a esses cuidados nutricionais em casa”, explica.

De acordo com a profissional, a iniciativa estimula a autonomia e a conscientização alimentar. “As pacientes e acompanhantes passam a compreender melhor o que pode ser feito com cada alimento, como reaproveitar e como manter a dietoterapia iniciada no hospital. São preparos com alimentos do dia a dia, de fácil manuseio, pensados junto com as pacientes, para que elas consigam aplicar essa prática de forma simples após a alta”, destaca Marcela.

A fonoaudióloga Paula Pamplona, que atua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e nas unidades de internação, destaca que a iniciativa também tem impacto terapêutico, já que as pacientes são estimuladas no momento da alimentação, na ingestão de nutrientes fundamentais para o tratamento. "A intenção é trazer conforto para as pacientes, com a nutrição e os exercícios fonoaudiológicos, no caso de pacientes que estão acamadas, que estão no UTI, porque as pacientes, muitas vezes, têm uma dieta alterada, então elas precisam voltar a exercitar a musculatura, a região dos órgãos fonoarticulatórios atuantes e uma das estratégias é com o alimento. No caso do ‘chope’, é uma forma direta de atuar com elas para trazer as habilidades novamente, como elas se alimentavam antes de vir para o hospital", ressalta.

A paciente Marilene Lopes relata que o momento do chope de frutas se tornou um dos mais aguardados durante a internação. "O ‘chope’ está ótimo para mim, até porque eu vendo chope de vez em quando, mas assim eu nunca tinha feito, agora vou fazer. Eu já estive internada várias vezes e não tinha algo assim, eu achei muito bom. Apesar da gente estar doente, é um lugar bacana, os profissionais também são muito legais, graças a Deus. O médico que me acompanha é muito bacana. Eu estou longe de casa, mas eu estou bem, graças a Deus", relata.

Já a paciente Regiane Oliveira, de 27 anos, do município de Curralinho, no arquipélago do Marajó, comenta que o sabor natural do preparo e a atenção recebida na unidade agradaram. “Eu gosto quando é mais natural, a gente consegue sentir o sabor da fruta.  Hoje eu estava falando para o meu esposo, que queria um doce. Aí eu me lembrei do ‘chope’. É um projeto bom, não só pra mim, mas para todas as pacientes. É um tratamento bom aqui. Deus tem colocado pessoas boas para cuidar, os enfermeiros, profissionais todos tratam a gente bem, dão toda a assistência, não falta nada", disse a jovem.

O projeto integra as ações estratégicas de humanização do Hospital da Mulher do Pará e reforça que pequenas ações, quando pensadas de forma integrada, podem agregar benefícios na promoção da saúde, no bem-estar das pacientes e na construção de práticas sustentáveis, com o consumo consciente dos alimentos dentro do ambiente hospitalar, uma iniciativa que representa e desperta a sensibilidade e a leveza em meio às limitações do tratamento das pacientes, fortalecendo o vínculo entre equipe, pacientes e acompanhantes.