Belém sedia simpósio para fortalecer o combate à hanseníase em crianças e adolescentes
Evento reuniu representantes do governo do Pará, Ministério da Saúde e movimentos sociais para debater diagnóstico precoce, direitos humanos e o impacto psicossocial da doença
Belém sediou, nesta quarta-feira (28), o simpósio “Hanseníase na Infância e Adolescência: Diagnóstico, impactos físicos e psicoemocionais e direitos humanos”, no auditório da Unidade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (UEAFTO), do CCBS da Uepa, no bairro do Marco. O evento reuniu representantes de municípios, Estado, Ministério da Saúde, universidades, sistema de justiça e movimentos sociais. A iniciativa reforça o compromisso do governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), com o fortalecimento das ações de prevenção, diagnóstico precoce e atenção integral às crianças e adolescentes acometidos pela doença.
A mesa de abertura contou com representante de diferentes instituições, evidenciando a importância da articulação intersetorial no enfrentamento da hanseníase. Participaram da composição: representando a Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) da Sespa, Lúcia Helena; pelo Ministério da Saúde, o consultor técnico da Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS), George Sousa; pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), a 1ª promotora de Justiça da Infância e Juventude de Belém, Sintia Maradei; representando a Sociedade Brasileira de Dermatologia, Carla Avelar; e pela UEPA, a secretária-geral da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Regina Carneiro.
Logo após a abertura, uma apresentação do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) emocionou o público. Integrantes do movimento subiram ao palco com bonecos, colocados sobre uma mesa, simbolizando a separação compulsória de filhos e pais durante a década de 1940, período marcado por políticas de isolamento em colônias, que deixaram profundas marcas sociais e emocionais.
De acordo com dados apresentados no evento, a hanseníase segue como um desafio de saúde pública no Pará. Em 2025, foram notificados 1.486 casos novos no Estado, com taxa de detecção de 17,15 por 100 mil habitantes. Desses, 75 casos ocorreram em menores de 15 anos, o que evidencia a circulação ativa do agente causador da doença e a necessidade de intensificar ações voltadas à população pediátrica.
O coordenador estadual do Programa de Controle da Hanseníase da Sespa, Luiz Augusto Costa, destacou que o diagnóstico em crianças e adolescentes ainda enfrenta barreiras importantes. “A hanseníase tem evolução lenta e sinais iniciais discretos, o que dificulta a identificação, especialmente em crianças. Muitas vezes, manchas são confundidas com alergias ou micoses, e ainda há baixa suspeição clínica. O simpósio contribui justamente para qualificar os profissionais, fortalecer a vigilância e garantir um olhar mais atento para o diagnóstico precoce”, afirmou.
Representando o Ministério da Saúde, George Bezerra de Sousa ressaltou a parceria com o governo do Pará e a importância de ações integradas. “A hanseníase não é apenas uma questão de saúde, é também de direitos humanos e justiça social. O Pará é um estado muito parceiro do Ministério da Saúde, com diversas ações em andamento. Estar presente aqui fortalece essa cooperação e ajuda a promover diagnóstico precoce, prevenção de incapacidades e enfrentamento da discriminação”, pontuou.
Durante o simpósio, também foram debatidos os impactos psicoemocionais da hanseníase em crianças, adolescentes e suas famílias, além da necessidade de acolhimento humanizado e suporte psicossocial. Para o coordenador estadual do Morhan, Edmilson Picanço, o evento representa um avanço na construção de políticas públicas mais sensíveis e inclusivas. “Esse simpósio traz à tona a discussão sobre a política estadual de hanseníase. O movimento social participa para colaborar com o aprimoramento do tratamento, defendendo um atendimento humanizado e de qualidade. A Sespa tem papel fundamental ao elaborar e socializar essas políticas para os 144 municípios do Pará”, destacou.
A programação incluiu palestras sobre dados epidemiológicos, desafios no diagnóstico em crianças e adolescentes, prevenção de deficiências físicas, proteção integral e estratégias para o controle da hanseníase, além de discussões para a formação de um Grupo de Trabalho (GT Hansen). As atividades reforçam o compromisso da Sespa em fortalecer a Atenção Primária à Saúde, ampliar a capacitação de profissionais e promover ações de visibilidade e mobilização social.
Ao promover o diálogo entre saúde, educação, justiça e sociedade civil, o simpósio reafirma a estratégia do governo do Pará de enfrentar a hanseníase de forma integrada, garantindo cuidado integral, defesa dos direitos humanos e mais qualidade de vida para crianças e adolescentes em todo o estado.
