Planetário do Pará abre inscrições para projeto que incentiva meninas na ciência
Iniciativa é voltada a estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental ao 2º ano do Ensino Médio, de escolas públicas e particulares
Neste Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, 11 de janeiro, a Universidade do Estado do Pará (Uepa), por meio do Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA), abre as inscrições para o Projeto de Extensão “Astrociência: Meninas nas Ciências no Pará”. A iniciativa tem como objetivo incentivar meninas - incluindo meninas e mulheres trans - do 9º ano do Ensino Fundamental ao 2º ano do Ensino Médio, de escolas públicas e particulares, a participarem de atividades científicas e de pesquisa em diferentes áreas da Ciência.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas via formulário on-line, desta quarta-feira (11) até o dia 1 de março, conforme convocatória. A iniciativa será desenvolvida no Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA) mensalmente, às quartas-feiras, no turno da tarde, de março até dezembro de 2026. Serão selecionadas 20 estudantes, que terão a oportunidade de participar de palestras com pesquisadores, oficinas, atividades prático-experimentais e desenvolvimento de projeto de iniciação científica.
No preenchimento do formulário de inscrição, é solicitado que sejam anexados os seguintes documentos: cópia de documento de identificação com foto; comprovante de escolaridade (matrícula 2026); autorização do (a) responsável, se a inscrita for menor de idade (modelo no Anexo I do edital); autorização de uso da imagem e do som assinada pela aluna e responsável (modelo no Anexo II do edital), e cópias do documento de identificação do (a) responsável, quando menor de idade.
Projeto fortalece divulgação científica e formação de meninas na Amazônia
Concebido como projeto de extensão, o “Astrociência: Meninas nas Ciências no Pará”, vinculado ao coletivo Tainá-Kan, iniciou suas atividades em 2023, para ampliar o acesso de meninas ao conhecimento científico na Amazônia. De acordo com a coordenadora do Astrociência, professora Vânia Lobo, a iniciativa reafirma o compromisso com a divulgação científica e com a formação de novas gerações de meninas na ciência. “Seguimos fortalecendo práticas educativas que articulam e socializam conhecimentos nas áreas de Astronomia, Química, Biologia, Tecnologia e Educação Ambiental”, destaca.
Com foco na continuidade e no aprimoramento das ações, o projeto tem estruturado seu planejamento a partir das experiências já realizadas. “As atividades desenvolvidas em 2025 - como oficinas de Astronomia, Show da Química, ações de restauração florestal, estudos sobre energia da matéria e debates sobre acessibilidade e comunicação científica - orientam a proposta de 2026, que busca ampliar o alcance do projeto”, afirma a professora da Uepa, Vânia Lobo, responsável pelo espaço da Química do CCPPA.
Uma das atividades ofertadas às participantes do Astrociência, em 2025, foi a oficina "Sementes para o Futuro: Florestas e Mudanças Climáticas”, que mostrou às estudantes como as florestas são essenciais para o equilíbrio do clima, para a conservação da biodiversidade e para a vida no planeta. “Também conversamos sobre os impactos do desmatamento, das queimadas e das mudanças climáticas no nosso dia a dia”, complementa a técnica em Biologia do CCPPA, Fernanda Barros.
A atividade prática com a produção de “bombas de sementes”, segundo Fernanda, “permitiu que as participantes colocassem a mão na massa e entendessem, de forma simples e participativa, como pequenas ações podem contribuir para a recuperação de áreas degradadas, além de fortalecer o interesse das meninas pela ciência e pelo cuidado com o meio ambiente”.
A estudante do 1º ano do Ensino Médio, Adrya Lohanna, participa do Astrociência desde 2024. Ela conta de que forma foi motivada a se inscrever no projeto. “Eu fui motivada a participar pela minha irmã mais velha, depois de ela ver um artigo falando sobre o projeto, e foi a melhor escolha que eu fiz”, afirma Adrya, que sonha em ser astronauta.
As atividades desenvolvidas ao longo do projeto proporcionaram vivências práticas que, segundo Adrya, marcaram a sua trajetória. “Houve várias oficinas maravilhosas, como a de Química, de construção de foguete, com o lançamento do mesmo, oficina de Libras e muitas outras. Na minha opinião, projetos como esse são muito importantes para a comunidade feminina, pois podemos aprender vários feitos que mulheres fizeram na ciência ou descobrir coisas que chamam nossa atenção e entender que a ciência é um espaço para as mulheres também”, ressalta.
A presença das mulheres na Ciência, segundo a professora Vânia Lobo, é importante para ampliar olhares e formas de produzir conhecimento. “Mulheres cientistas e educadoras ajudam a aproximar a ciência do cotidiano, da vida real e das pessoas, dando facilidade ao acesso do conhecimento científico. A presença de meninas em espaços de ciências possibilita a compreensão da ciência como lugar de criação, sensibilidade e transformação social”.
Para a professora, a presença das mulheres na ciência é fundamental para ampliar perspectivas e modos de produção do conhecimento. Segundo ela, cientistas e educadoras contribuem para aproximar a ciência do cotidiano e da vida real, tornando o conhecimento científico mais acessível às pessoas. “A presença de meninas em espaços de ciência favorece a compreensão da ciência como um lugar de criação, sensibilidade e transformação social”, conclui.
