Especialistas do HC orientam sobre cuidados com coração, rins e saúde mental
Os especialistas dizem como é possível aproveitar o Carnaval com segurança, desde que haja equilíbrio.
Nesta terça-feira de Carnaval, marcada por intensa programação festiva, calor e maior consumo de álcool, especialistas do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, reforçam a importância dos cuidados com a saúde do coração, dos rins e da mente. A orientação é redobrar a atenção, especialmente para quem já possui alguma condição clínica.
Embora a folia represente lazer e descontração, os excessos podem trazer riscos e agravar quadros de saúde preexistentes.
Saúde mental exige atenção
O psiquiatra Diego Moraes explica que o Carnaval pode impactar a saúde mental tanto de forma positiva quanto negativa.
“Para algumas pessoas, é um momento de descanso, alegria e conexão social, o que ajuda a aliviar o estresse. Para outras, pode significar excesso de estímulo, pouco sono, pressão social e consumo elevado de álcool, aumentando ansiedade, irritabilidade e cansaço emocional”, afirma.
Segundo o especialista, o álcool, apesar de provocar sensação inicial de relaxamento, é um depressor do sistema nervoso e pode agravar quadros de ansiedade, depressão e transtorno bipolar, além de interferir na ação de medicamentos psiquiátricos.
Ele alerta que interromper a medicação para “aproveitar a folia” não é seguro. “A suspensão abrupta pode causar efeito rebote, piora dos sintomas ou até crise aguda”, destaca.
Entre os sinais de alerta após o período festivo estão tristeza persistente, insônia prolongada, irritabilidade acentuada, aumento do consumo de álcool ou pensamentos negativos intensos. “Se houver prejuízo na rotina e na funcionalidade, é importante buscar avaliação profissional”, orienta o médico.
Coração também precisa de cuidado
Na área cardiovascular, o cardiologista Vitor de Holanda ressalta que o Carnaval pode representar maior risco para pessoas com doença cardíaca, principalmente quando há abandono do tratamento.
“Não se deve parar as medicações para poder beber. Isso é extremamente perigoso”, enfatiza.
O especialista explica que o consumo excessivo de álcool é tóxico para o músculo cardíaco e pode desencadear arritmias, inclusive dias após a ingestão. A combinação de bebidas alcoólicas com energéticos também aumenta o risco de arritmias e até infarto.
O calor intenso e a desidratação são outros fatores de risco, pois podem provocar picos de pressão arterial e estão associados a maior incidência de infarto e acidente vascular cerebral.
Entre os sinais que exigem atendimento imediato estão dor no peito, falta de ar, dor de cabeça muito intensa, tontura e desmaio.
“A orientação principal é moderação. Não parar as medicações, evitar exageros no álcool, não consumir energéticos e manter hidratação adequada. Existirão outros carnavais”, reforça o cardiologista.
Rins hidratados e atenção redobrada
A nefrologista Salomé dos Santos chama atenção para os efeitos do calor e do álcool na função renal.
“O calor aumenta a perda de líquidos pela sudorese e o álcool intensifica a diurese. Essa combinação pode levar à desidratação e reduzir a perfusão renal, favorecendo quadros de injúria renal aguda, especialmente em situações de consumo excessivo”, explica.
De acordo com a médica, a desidratação prolongada pode comprometer o fluxo sanguíneo renal e, em casos mais graves, evoluir para lesão renal. O esforço físico intenso sob altas temperaturas também pode desencadear rabdomiólise, condição que pode afetar os rins.
Pacientes com Doença Renal Crônica devem ter atenção redobrada, pois possuem menor reserva funcional renal e maior vulnerabilidade à desidratação e alterações eletrolíticas.
Entre os sinais de alerta estão redução importante do volume urinário, inchaço nas pernas, náuseas, vômitos e fadiga intensa. “Diante desses sintomas, a avaliação médica deve ser imediata”, orienta.
Manter hidratação regular, alternar bebidas alcoólicas com água, preservar horas de sono, respeitar limites pessoais e não interromper tratamentos médicos são medidas essenciais para atravessar o período com segurança.
“Nem todo mundo é obrigado a participar de tudo. Cuidar da saúde mental também é saber quando dizer não”, conclui o psiquiatra.
Texto: Jonas Vila Silva (Ascom HC)
