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Ciclo de Diálogos encerra com informações sobre manejo sustentável na agricultura

Pesquisadores ressaltaram as vantagens dos Sistemas Agroflorestais para a manutenção da cobertura vegetal e geração de renda

Por Camila Botelho (SEDAP)
06/05/2026 17h40

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são importantes para manter a floresta em pé, ao combinarem cultivos agrícolas com a conservação da floresta e recuperação de áreas degradadas. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), por meio do Comitê Gestor Estadual do Plano ABC+ Pará, encerrou nesta quarta-feira (6) o Ciclo de Diálogos, com a Oficina "Adaptação das tecnologias da Agricultura de Baixo Carbono (ABC+) com o GT de Sistemas Integrados", na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental), em Belém.

Amaury Bendahan apresentou o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

O Brasil tem 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para expansão agrícola. Entre as formas de manejo adotadas no Brasil estão o manejo de florestas naturais, que promove a retirada planejada de madeira, removendo apenas árvores maduras e mantendo a estrutura local, com ciclo de corte de cerca de 35 anos, e o manejo de florestas degradadas, voltado à recuperação da cobertura vegetal, usando técnicas como enriquecimento e regeneração natural.

Thiago Catuxo, coordenador do Programa Estadual de Agricultura de Baixo Carbono da Sedap

Conservação e renda - Silvio Brienza, chefe-geral interino da Embrapa, ressaltou que o manejo permite conservar a floresta em pé e ampliar a geração de renda com o plantio de espécies nativas, o que restaura a biodiversidade. No entanto, ressaltou o gestor da Embrapa, é preciso ter o acompanhamento contínuo de políticas públicas nesse processo.

André Miccolis destacou os benefícios dos SAFs

André Miccolis, coordenador nacional da Cifor-Icraf (Centro Internacional de Pesquisa Florestal e Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal), abordou os benefícios dos SAFs, com destaque para o aumento da segurança alimentar, redução de risco econômico, combate a pragas e doenças, enfrentamento de eventos climáticos extremos, redução da necessidade de insumos externos e distribuição de mão de obra ao longo do ano.

"Os SAFs biodiversas armazenam mais carbono (mitigação) e apresentam maior potencial  financeiro", acrescentou o coordenador.

Modelo sustentável - Pesquisador da Embrapa, Osvaldo Kato falou sobre diversificação da produção por meio dos SAFs, como o Sistema Agroflorestal Multiestratificado, cujo modelo produtivo reproduz a estrutura e o funcionamento de florestas naturais, combinando árvores, arbustos e culturas agrícolas em diferentes alturas. Esse modelo, ressaltou, preserva a biodiversidade, restaura o solo e atua no sequestro de carbono, oferecendo sustentabilidade à agricultura familiar ao recuperar áreas degradadas.

Osvaldo Kato falou sobre manejo orgânico do solo

Osvaldo Kato informou ainda que esse sistema precisa de manejo orgânico do solo, para aumentar a produtividade sem uso do fogo. "A agricultura sem queima - SAF Sequência, evita perdas de nutrientes pela queima, reduz emissões de CO2 e adiciona matéria orgânica produzida na área", assegurou.

Amaury Bendahan, pesquisador da Embrapa, apresentou o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, estratégia de produção agropecuária que integra produtos agrícolas, pecuários e florestais na mesma área, podendo ocorrer em cultivo consorciado, em rotação ou sucessão. "Esse sistema tem a possibilidade de produzir carne com baixo carbono e carbono neutro, mas com necessidade de investimentos financeiros e conhecimento, levando em consideração o funcionamento da propriedade e os objetivos de curto e longo prazo dos produtores/famílias", disse o pesquisador.