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Sespa oferece tratamento a quem deseja parar de fumar

O tratamento é disponibilizado pelo Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Cratf), que funciona na avenida Presidente Vargas, em Belém

Por Mozart Lira (SESPA)
29/05/2026 16h20
Momento de atendimento individual no Centro

Em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reforça uma série de recomendações à população sobre as doenças associadas ao tabagismo com orientações práticas para aqueles que desejam abandonar o hábito de fumar. 

Por isso, a Sespa disponibiliza tratamento à população fumante, por meio do Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Cratf), mantido pela Sespa no térreo da Unidade de Referência Especializada (URE), na Avenida Presidente Vargas com travessa Osvaldo Cruz, centro de Belém. Em 22 anos de atividade, o Centro já atendeu mais 6.425 até abril deste ano e registra a média de 30 pacientes que procuram atendimento mensalmente. 

No Cratf, o tratamento inicia com os exames que vão identificar a história tabagística do paciente e prossegue com sua admissão em um grupo com outros fumantes para o início do tratamento, que consiste na abordagem cognitiva comportamental.  

O grupo de manutenção, que acompanha os pacientes inicialmente a cada 15 dias

“Em seguida, passam por uma avaliação clínica, na qual verificamos o histórico de saúde e eventuais comorbidades, como alcoolismo ou transtornos psiquiátricos. Depois disso, avaliamos se o paciente tem perfil para o grupo ou para atendimento individual, mas a base do nosso trabalho é o grupo terapêutico”, explica a psicóloga Adriane Robert.

O método adotado é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), realizada em quatro encontros semanais, que funcionam como espaço terapêutico e de orientação. Os temas abordados incluem estratégias de controle da compulsão, redução do consumo e diferentes formas de cessação do cigarro, seja de maneira brusca ou gradual.

Após essa etapa, quem consegue parar de fumar é direcionado para o grupo de manutenção, que acompanha os pacientes de forma contínua, inicialmente a cada 15 dias e, posteriormente, com intervalos mensais, semestrais e anuais. “Não existe alta para o tabagismo. Ele é uma doença, uma dependência, e o monitoramento deve ser feito por toda a vida”, destacou a psicóloga.

Alexandre Santos, de 47 anos, fuma desde os 13 e está há 50 dias sem fumar

Alexandre Santos, de 47 anos, fuma desde os 13 está há 50 dias sem fumar. Iniciou o tratamento no Cratf este ano e está confiante na mudança do estilo de vida. “O suporte que aqui me dão é fabuloso. Frequento as reuniões e tenho convicção de que fumar será uma página virada na minha vida”, disse.  

O mesmo pensa a paciente Fátima Cabral, de 56 anos, que está há 53 dias sem fumar. “Comecei os 18, mas o ato de fumar foi intensificado a partir dos 24 anos. Estou confiante porque acredito no tratamento e na força do que é dito nas reuniões daqui”, relata. 

A paciente Fátima Cabral, de 56 anos, que está há 53 dias sem fumar

A coordenadora do Centro, Fátima Amine, explica que a prescrição medicamentosa é complementar, sendo indicado para minimizar os sintomas da síndrome de abstinência. Portanto, torna-se necessário avaliação individual da necessidade ou não do uso de medicamentos, em função dos diversos tipos e graus de dependência.

Fátima também destaca que, nas últimas duas décadas, a percepção sobre o cigarro mudou em função das campanhas terem conseguido restringir a publicidade em torno da glamourização do fumo. Por outro lado, outros desafios vieram com o advento de outros dispositivos para fumar, como os cigarros eletrônicos e vapes. 

“Os esforços atuais se concentram não apenas em prevenir novos casos, mas também em oferecer suporte àqueles que lutam contra a dependência”, acrescenta a nutricionista Débora Santa Brígida, da Divisão Técnica do 1º Centro Regional de Saúde (CRS) da Sespa), que junto com Adriane Robert comanda as reuniões com os pacientes atendidos no local.

A coordenadora do Centro, Fátima Amine

De acordo com a referência técnica do Programa Nacional do Controle do Tabagismo - PNCT, o tabagismo é considerado doença desde a última revisão  do CID 10 e integra o grupo de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa e está associado às doenças crônicas não transmissíveis, como um fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças principalmente doenças cardiovasculares, neoplasias, respiratórias crônicas, tuberculose, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose entre diversas outras.

Dicas para abandonar o tabaco

* Busque por apoio profissional, orientação médica e ingresse em programas de cessação do tabagismo, que oferecem suporte especializado e estratégias eficazes para deixar o cigarro

* Identifique e evite gatilhos, e reconheça os momentos, atividades ou emoções que costumam desencadear o desejo de fumar e encontre alternativas para lidar com essas situações.

* Mantenha-se ativo. A prática regular de exercícios físicos ajuda a reduzir a vontade de fumar, mas também entra como uma alternativa de prazer, melhora o humor e promove o bem-estar geral.

* Adote uma alimentação saudável, priorize alimentos ricos em nutrientes, de baixa calorias, evitando o consumo de alimentos ultra processados e ricos em açúcares e gorduras saturadas.

* Encontre suporte social, compartilhe sua jornada com amigos, familiares ou grupos de apoio, encontrando conforto e motivação na companhia de pessoas que compreendem seus desafios.

Serviço:

Para ter acesso ao Craft, basta procurar o centro ao lado da URE da Presidente Vargas, em Belém. Avenida Presidente Vargas, n.º 513, entre Aristides Lobo e Osvaldo Cruz. Atendimento de segunda à sexta, das 7 às 17 horas. Contatos: 3110-6251/ 97400-1885.