Pronto-Socorro Estadual orienta pais de crianças em atendimento sobre abuso e exploração sexual
Durante a abordagem também foram realizadas orientações sobre como e onde denunciar casos suspeitos ou confirmados
Em alusão ao Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, o Pronto-Socorro Dr. Roberto Macedo (PSRM), em Belém, promoveu nesta sexta-feira (29) uma ação educativa voltada a pais e responsáveis de crianças em tratamento na unidade. A iniciativa foi realizada pelo Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), por meio do projeto “Sextou na Pediatria”, com o objetivo de fortalecer a rede de proteção e ampliar o debate sobre prevenção e enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.
A atividade utilizou a metodologia do “Semáforo do Toque”, recurso educativo que associa as cores verde, amarela e vermelha a diferentes situações envolvendo o contato físico com crianças e adolescentes. A proposta busca facilitar a compreensão do tema por familiares e responsáveis, incentivando o diálogo dentro de casa e a identificação de possíveis situações de risco.
Orientação para fortalecer a proteção
Além de conscientizar os participantes sobre a importância de conversar com crianças e adolescentes a respeito do assunto, a equipe do GTH também orientou sobre os canais disponíveis para denúncias de casos suspeitos ou confirmados. A iniciativa reforçou que a denúncia é uma ferramenta essencial para interromper ciclos de abuso e exploração sexual.
“Com o Semáforo do Toque, orientamos que o Sinal Verde é o do afeto, que pode ser um abraço apertado de quem a criança ou o adolescente ama e confia, ou um toque de mão, carinho na cabeça, pois nesses casos não há motivo de preocupação”, explicou a analista de Humanização do PSRM, socióloga Watuzi Rebelo da Silva, responsável pela iniciativa.
A profissional destacou ainda que o contexto é fundamental para a compreensão das situações apresentadas. “Inclusive, o exame que o médico ou a enfermeira fazem no hospital também é sinal verde, porque é para cuidar da criança. É muito necessário observar o contexto, e os pais ou responsáveis precisam fazer essas orientações constantemente para fortalecer a rede de proteção contra o abuso sexual”, acrescentou.
Informação que chega às famílias
A moradora de Moju, Francinete Duarte de Souza Lima, que acompanha a filha Ana Flávia de Souza Lima, de dois anos e seis meses, internada para tratamento de pneumonia, ressaltou a relevância da ação educativa.
“É muito importante receber essas informações e também repassá-las aos nossos filhos. Minha filha ainda é pequena, mas já vou começar a fazer essas orientações. Da forma como foram apresentadas, ficou fácil entender e compartilhar com ela, para que comece a compreender desde cedo”, afirmou.
Durante a atividade, o GTH explicou que o Sinal Amarelo representa situações que exigem atenção e observação. Entre os exemplos apresentados estão demonstrações de afeto que provoquem desconforto ou partam de pessoas com pouca convivência com a criança ou adolescente. Nesses casos, foi reforçado que eles têm o direito de recusar qualquer contato físico que os deixe inseguros.
Alerta para situações de risco
Já o Sinal Vermelho foi utilizado para alertar sobre situações que configuram violação de direitos e exigem atenção imediata dos responsáveis.
“Partes do corpo que ficam escondidas sob a roupa de banho, calcinha ou cueca ninguém pode tocar, nem pedir para ver. Enfatizamos isso durante a ação e alertamos que crianças e adolescentes nunca devem guardar segredos que os deixem tristes ou assustados. Essas situações se enquadram como um Sinal Vermelho e exigem observação e, quando necessário, denúncia aos órgãos competentes”, destacou Alessandra Brito, integrante do Grupo de Trabalho de Humanização.
Maio Laranja
O Maio Laranja foi instituído pela Lei Federal nº 9.970/2000 e tem como marco o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio. A data faz referência ao Caso Araceli, ocorrido em 1973, no Espírito Santo, e tornou-se símbolo da mobilização nacional em defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados de forma anônima por meio do Disque 100, dos Conselhos Tutelares, da Polícia Civil e de delegacias especializadas.
Serviço
O Pronto-Socorro Dr. Roberto Macedo integra a rede pública de saúde do Governo do Pará e funciona em regime de plantão 24 horas, na Avenida Augusto Montenegro, em Belém. A unidade atende urgências e emergências clínicas, além de demandas reguladas pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), oferecendo assistência em especialidades como cirurgia geral, vascular, pediátrica, torácica, bucomaxilofacial e neurocirurgia, incluindo procedimentos minimamente invasivos, como videolaparoscopia.

