Polo Produtivo certifica primeira turma de socioeducandos

Os dez jovens, da Unidade de Atendimento Socioeducativo Benevides, concluíram o Curso de Corte e Costura Industrial

25/08/2020 22h42 - Atualizada em 26/08/2020 16h15
Por Franklin Salvador (FASEPA)

Mostra de peças de confecções e acessórios produzidos por jovens privados de liberdade, participantes da Fábrica Esperança Para quem sai da adolescência e inicia a fase adulta em um cenário atrás de grades, um certificado de capacitação pode ser a esperança de reescrever a própria história. Essa é a realidade de dez jovens privados de liberdade que receberam, nesta terça-feira (25), o certificado do Curso de Corte e Costura Industrial na Unidade de Atendimento Socioeducativo (Uase) Benevides, na Região Metropolitana de Belém. Eles participaram da primeira turma do projeto-piloto Polo Produtivo da Socioeducação, realizado em parceria com a Fábrica Esperança, que atende egressos do sistema penitenciário.

Os dez socioeducandos, na faixa etária de 18 a 21 anos, cumpriram uma carga horária de 100 horas, durante 55 dias, aprendendo técnicas de costura, ética e empreendedorismo, ministradas por profissionais da Evolution Consultoria e Terceirização.

Evento contou com o juiz titular da 3ª Vara da Infância de Juventude do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, Vanderley de OliveiraDa solenidade de certificação participaram representantes do Sistema de Garantia de Direitos (SGD): o juiz titular da 3ª Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, Vanderley de Oliveira; o assessor do TJ, Jorge Elias; o 8º promotor de Justiça da Infância e Juventude de Belém, Antônio Lopes Maurício; o diretor-geral da Associação Polo Produtivo do Pará Fábrica Esperança, Artur Jansen; o secretário adjunto da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Edimar Neves; o presidente da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará, Miguel Fortunato; a diretora de Atendimento Socioeducativo, Vilma Moraes, e a gestora da Uase Benevides, Helennice Rocha.

Todas as ações da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) são baseadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), considerando também os parâmetros legais dos instrumentais técnicos, como o Plano Político Institucional (PPI) e o Plano Político Pedagógico (PPP), buscando sempre garantir os direitos e deveres dos socioeducandos.  

"Não adianta sairmos daqui, ter a nossa liberdade e cometer o mesmo erro que nos trouxe pra cá. Vou abraçar essa oportunidade, pra poder dizer que tenho a capacidade de dar orgulho pra minha família", afirmou um dos socioeducandos certificados, de 18 anos, que há 10 meses cumpre medida socioeducativa. Com a mesma expectativa, outro jovem concluinte do curso, 19 anos, que há cerca de dois anos é custodiado pela Fundação, contou sua experiência: "Hoje eu posso dizer que ainda tenho sonhos e que eles estão se realizando. Quando eu estava lá fora, achava que nada disso era possível. Eu estava num mundo de perdição, mas hoje eu posso dizer pra todos os jovens da Fasepa que há uma luz no fim do túnel".   

Envolvimento - Para que o trabalho tenha êxito na transformação de vida dos adolescentes e jovens é necessário que todos os segmentos da sociedade se envolvam nas ações socioeducativas, frisou o promotor de Justiça Antônio Lopes Maurício. "Eu acredito na socioeducação dessa forma, que transforma, que tem cursos profissionalizantes que permitem, ao sair daqui, ganhar o pão de cada dia com o suor do rosto. Mas nós queremos que vá além disso, que esse tipo de solenidade seja feita em todas as unidades. Precisamos envolver a sociedade no nosso trabalho porque esse não é um trabalho só da Fasepa, é um trabalho de todos", reiterou promotor.

O juiz Vanderley de Oliveira também acredita que o trabalho precisa envolver todos os membros da rede de atendimento, o poder público, a sociedade civil e a família, buscando garantir direitos a todos que estão privados de liberdade. "Não é à toa que os dez iniciais foram escolhidos. É claro que o propósito de todos nós é alcançar 100%. A lei estabelece que é obrigação nossa, do Estado e da sociedade incluir todos. Não deve haver nenhuma fagulha de exclusão, mas unicamente de inclusão", enfatizou o juiz sobre a continuação das ações.

"Esse projeto não é apenas um curso de profissionalização. É um contexto de aprendizagem com empregabilidade. Isso é fundamental para as famílias dos socioeducandos. Ele tem as características do Sinase, que é o que a gente tem que consolidar", disse o presidente da Fasepa, Miguel Fortunato, acrescentando que o objetivo é levar a ação para todas as unidades, e assim fortalecer um dos eixos estratégicos da socioeducação, que é a profissionalização. "A gente pretende com esse projeto disponibilizá-lo aos municípios e a outras instituições que desejam desenvolver a profissionalização com jovens em situação de vulnerabilidade", afirmou o presidente.

Presidente da Fasepa, Miguel Fortunato destacou o projeto pela oportunidade de profissionalização e empregabilidade aos jovensOportunidade - Para Artur Jansen, "a intenção do governo é trabalhar na base da criminalidade, evitar que esse jovem amanhã vá para o sistema penitenciário. Estamos oferecendo a oportunidade de o jovem ajudar sua família. A ideia é diminuir a reincidência no crime nessa faixa etária". Ele acrescentou que o projeto-piloto já tem êxito na qualificação profissional com um dos participantes, que trabalha com carteira assinada na Fábrica Esperança.

Mesmo com as limitações ocasionadas pela pandemia de Covid-19, a meta é certificar mais de 40 socioeducandos até o final de 2020 nos cursos de serigrafia, panificação e informática. A próxima turma deve iniciar no próximo dia 31, com mais dez socioeducandos.