Polícia Civil prende quatro investigados por associação criminosa e roubo majorado
Presos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Civil para os procedimentos legais cabíveis, e estão à disposição da Justiça
A Polícia Civil do Pará deflagrou, nesta terça-feira (5), a operação “Safra Vermelha” com o objetivo de investigar uma série de roubos de cargas de dendê no interior do Estado. A ação policial contou com a participação de policiais da Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC), da Diretoria de Polícia Especializada (DPE), do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) e da Coordenadoria de Operação e Recursos Especiais (CORE).
“As investigações tiveram início em janeiro de 2025, a partir da análise de comportamento em mídias sociais, onde alguns dos envolvidos ostentavam padrão de vida incompatível e atuavam com perfis de influência, o que despertou a atenção das equipes policiais e direcionou o aprofundamento das apurações”, contou a delegada Vanessa Lee, titular da DECCC.
No decorrer das investigações, foi constatado que os crimes não eram episódios isolados. “Os investigados praticavam os crimes de forma estruturada por facções criminosas, que atuavam em toda a cadeia delitiva, desde o roubo da produção até a comercialização e distribuição dos valores obtidos ilegalmente. As nossas apurações revelaram a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas bem definida, envolvendo núcleos operacionais e, especialmente, um núcleo financeiro responsável por receber, movimentar e redistribuir os valores provenientes da venda do dendê roubado”, continuou a delegada.
Esse núcleo utilizava contas bancárias de terceiros e mecanismos de pulverização financeira para dificultar o rastreamento do dinheiro ilícito. Entre os principais investigados, está um homem que reside no município de Concórdia do Pará. Ele é apontado como um dos principais responsáveis pela movimentação financeira do grupo, tendo movimentado mais de dois milhões de reais no período investigado, valores oriundos da comercialização ilegal do dendê.
“As equipes policiais responsáveis pela investigação também identificaram outro indivíduo que reside em Belém e que atuava como operador financeiro, sendo responsável pelo recebimento dos valores provenientes da venda do dendê subtraído e pelo repasse desses recursos a integrantes da facção criminosa”, explicou Temmer Khayat, delegado-geral adjunto da PCPA.
O terceiro suspeito exercia papel relevante na gestão desses recursos ilícitos, além de atuar na extorsão de comerciantes, invasões de terras e participação em homicídio ocorrido na região de Quatro Bocas, em Tomé-Açu, evidenciando a conexão entre crimes patrimoniais e crimes violentos dentro da organização criminosa.
“O quarto indivíduo preso pela equipe atuava em diversas fases do esquema criminoso, desde o transporte do dendê subtraído até sua comercialização, sendo também beneficiário direto dos valores ilícitos, inclusive durante o processo de pulverização financeira. Dois dos presos são apontados como os integrantes que mais movimentaram recursos ilícitos oriundos da atividade criminosa, havendo registro de transferências significativas entre eles, incluindo o envio de mais de meio milhão de reais, o que reforça a atuação coordenada no núcleo financeiro da organização”, finalizou o delegado Temmer.
O dendê subtraído era inserido no mercado formal, com o objetivo de conferir aparência de legalidade ao produto ilícito, dificultando a identificação de sua origem criminosa.
Os presos foram encaminhados para a delegacia, onde passaram pelos procedimentos legais cabíveis, e estão à disposição da Justiça.

